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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Comic Con Portugal, pelos olhos do André Cavalheiro


Comecemos pelo início: A dezembro de 2013 descobri que dali a um ano ia haver a primeira Comic Con em Portugal. Como grande geek que sou tenho de admitir que fui preenchido pelo entusiasmo e pela excitação. Ao longo da minha vida sempre fui muito marcado pelas personagens que via na TV (ou no computador) e saber que ia ocorrer um evento no meu país com o objectivo de partilhar o gosto por estes heróis pôs-me o coração a bater mais rápido.

Embora não o demonstrasse, eu tinha receios. Será que eles vão mesmo trazer actores americanos? Será que vão mencionar sequer as séries que realmente importam, ou vão trazer uns reles actores que ninguém conhece de uma série que ninguém vê? Será que vão ter actividades que de facto estão relacionadas com as nossas personagens favoritas? Obviamente tudo mudou quando anunciaram a vinda da Natalie Dormer (Margaery Tyrell na série de Game of Thrones). Ganhei alguma fé na organização do evento, e ainda a medo comprei os bilhetes para o 2º e 3º dia do evento (sábado e domingo). Com o passar das semanas, e com o anúncio de mais e mais figuras conhecidas tanto no mundo da TV como no das BDs, fiquei seguro que seria um evento minimamente decente embora o site do mesmo mostrasse o contrário. Na minha opinião estava muitíssimo mal feito. À parte dos nomes americanos, e de alguns artistas de BD, não havia quase informação nenhuma sobre o que se ia realizar nos dias 5,6 e 7 de dezembro na Exponor. Quem se limitasse à informação deste, ficaria com a ideia de que não havia nada para fazer além de ouvir os Q&A e ficar na fila dos autógrafos.

Quando finalmente cheguei à Exponor no sábado, 2 horas depois do inicio do evento, já sabia que a fila ia ser enorme, mas nem imaginava o quanto. A multidão de pessoas que tentava entrar na convenção parecia nunca mais acabar, preenchendo a rua toda. Após mais de uma hora de espera finalmente consegui dar entrada naquilo que seria um dos melhores fins de semana que já passei. Assim que encontro o meu amigo que já se encontra lá dentro ele começa-me a contar o quão fantástico é o espaço onde estamos. A primeira entidade a quem tenho de dar os parabéns nem é a organização mas sim os cosplayers. Ao contrário do que antevi, houve um grande número de pessoas que escolheram marcar a sua presença na convenção fantasiadas. Algumas com disfarces mais simples, outros mais complexos, mas todos eles espectaculares. Alguns posso afirmar que dedicaram meses de trabalho nos seus fatos! Logo à entrada tirei algumas fotos, e comecei a notar que toda a comunidade era extremamente simpática e comunicativa. Sentia-me integrado, como se estivesse em família. Estávamos todos ali para partilhar o nosso amor pelo universo da cultura geek.


Foi com grande alívio e felicidade que vi que a zona de vendas tinha todos os produtos que um geek podia desejar. Desde os artigos lendários usados por personagens em animes e séries, até a colecções inteiras de mangás e BD. Explorar esta zona ao pormenor levaria umas boas horas por isso parto para a secção de gamming que está dividida em três grandes partes: Microsoft, Nintendo e PC. Sou levado pelo meu amigo a experimentar a nova XBox One. Após uns bons minutos de fugir à policia no novo GTA 5 em primeira pessoa decido dar uma vista de olhos nos artigos trazidos pelas lojas que se encontram nesta zona. Encontro de tudo: desde consolas com mais de 20 anos até a ratos modernos de cento e tal euros.

Quanto mais navego no mundo que é a Comic Con mais os meus níveis de felicidade aumentam. Com o passar das horas a minha carteira diminui e a minha euforia aumenta com a hipótese de ver a Natalie Dormer. Rapidamente perco as esperanças de assistir ao Q&A ao ver a fila para o auditório A. Em vez disso dou uma corrida à zona dos artistas de banda desenhada. O meu queixo deixa-se cair novamente ao encontrar os mais fantásticos trabalhos. Ainda fiquei aqui algum tempo admirando os trabalhos impressionantes que por ali se faziam.

De volta ao outro lado da convenção vejo uma grande multidão à espera do autografo de Natalie Dormer. Ainda consigo ver a atriz e ouvir umas palavras, mas assim que percebo que não consigo chegar mais perto, parto para a zona de vendas mais uma vez. O ambiente começa a tornar-se claustrofóbico. Mal me consigo mexer vá para onde for. Decido experimentar alguns dos jogos de tabuleiros visto que é umas das zonas mais vazias. Perco umas belas horas a experimentar alguns dos jogos mais interessantes que vi na minha vida. Quando finalmente decido que estou farto dou mais uma volta pela convenção e decido ir para o hotel com o telemóvel repleto de fotografias. A felicidade invade o meu ser, embora tenha que admitir que o excesso de pessoas me tenha frustrado um pouco.


No dia seguinte, por outro lado, as coisas ocorrem de maneira muito diferente. Desta vez chego à convenção uns minutos antes de esta começar. A fila ainda existe mas é muito mais pequena. Quando entro, encontro novamente uma grande aderência ao cosplay, e volto a encher o telemóvel com novas fotografias. Corro de encontro ao simulador de condução para ser dos primeiros a experimentar visto que no dia anterior esgotou rapidamente. Sou o primeiro a inscrever-me. Passo quase 40 minutos na pista de corridas. À minha frente tenho três ecrãs HD, um volante de 300€ e um conjunto de pedais. Nunca me senti tão envolvido numa corrida, embora tenha de admitir que havia muitos bugs no jogo. Quando acabo em último lugar concluo que vou ser um condutor horrível.

Continuo a rondar a zona de compras encontrado vários artigos que no dia anterior tinham esgotado rapidamente. Acabo hipnotizado por uma imitação de uma das espadas usadas no anime Bleach. A qualidade não é nada de especial, e o preço é elevado, mas é a lendária Tensa Zangetsu… não resisto e compro. Durante o resto do dia perguntam-me mais de trinta vezes onde a comprei, ao qual tenho de responder que já esgotaram. Sinto-me invadido pela felicidade. Pouco tempo antes do meio dia parto para o auditório A com esperança de ver o cast de Da Vinci’s Deamons. Qual não é a minha felicidade quando consigo lugar numa das filas do meio. O auditório está cheio, embora não a rebentar. Um trailer para a 3ª temporada é mostrado, a multidão grita. Os três actores respondem a diversas questões do público e trazem boa disposição e muito divertimento à multidão.


Mal o Q&A acaba não tenho tempo a perder. Saio para almoçar e volto imediatamente ao auditório A para ouvir Clive Standen de Vikings. Um verdadeiro homem do povo… vem dar abraços aos fãs que os pedem, fala com uma naturalidade e divertimento que deixa todos à vontade. Quando ele sai não posso evitar sorrir pois sei que o homem que verdadeiramente quero ver está prestes a entrar. Salto para um lugar que vazou na terceira fila. Mal consigo conter a excitação. Paul Blacktorne de Arrow entra no auditório e eu grito como um maluquinho. Mal posso acreditar que ele está ali, a 5 metros de mim. Mal começa a Q&A tanto eu como o colega ao meu lado elevamos os nossos braços bem alto pedindo um microfone para podermos fazer a nossa pergunta. Eventualmente um acaba por chegar à nossa posse. Quando chega à nossa vez começo a tremer de nervos mas não consigo tirar um sorriso da cara. O microfone passa pelos dois, estamos uns segundos a trocar frases com o actor. Após perguntar aquilo que tinha a perguntar num inglês meio trapalhão fico a vê-lo a responder à pergunta que lhe tinha posto. Voltei a sentar-me sabendo que já tinha ganho o dia…

Quando o Q&A acaba, vou mirar a zona de gamming e decido experimentar o novo Super Smash Bros. Dou mais umas voltas pela zona de compras, e quando me dá a fome decido ir pela primeira vez nos dois dias à zona de alimentação. Acabo por experimentar Ramen, uma comida japonesa muito vista no anime/manga Naruto:Shippuden.

No fim do dia toda a gente tenta negar a realidade: A Comic Con chegou ao fim. A multidão reúne-se à saída. Vamos falando, conhecendo pessoas, tirando as últimas fotos, mas eventualmente temos mesmo de sair. Não consigo evitar sorrir. Sinto-me a pessoa mais sortuda do mundo. A minha carteira está praticamente vazia, sobrando apenas dinheiro para o táxi, mas sei que valeu a pena.


Como podem concluir pelas minhas palavras adorei a Comic Con Portugal, mas como tudo ainda há espaço para melhorar: Havia zonas que ocupavam demasiado espaço para as pessoas que tinham (como a zona infantil ou a de jogos de tabuleiro) causando um grande sentimento de claustrofobia nas outras zonas (como a zona comercial); havia (se não me engano) apenas duas exposições, sendo que uma (a da Marvel) demorava literalmente 30 segundos para ver; as filas obviamente que eram um problema mas ao contrário de muita gente não acho que seja culpa da organização. As filas neste tipo de eventos são inevitáveis, toda a gente quer ver os seus actores favoritos. O auditório A era enorme, não sei o que a organização podia ter feito para evitar os engarrafamentos.

Assim sendo, chego à conclusão que a Comic Con Portugal foi um sucesso e posso garantir que estarei lá para o ano na próxima edição. Foi um dos fim de semanas mais felizes da minha vida, senti-me completamente integrado, foram todos muito simpáticos e quero agradecer não só aos meus amigos, mas também a todas as pessoas que foram e à organização por fazer tal evento possível.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Comic Con Portugal, pelos olhos do Ricardo Araújo


Ponto de encontro de nerds, o maior evento de popculture, Comic Con Portugal... não importa o nome que damos a este evento pois foi um dos acontecimentos mais fantásticos que eu já tive o prazer de testemunhar. Claro sendo eu um nerd com todo o meu coração esta descrição pode estar aberta a discussão. De qualquer maneira, agora com uns olhos mais objectivos, conto como realmente foi a Comic Con.

Para quem não sabe, a Comic-Con não é algo novo: é um evento que se realiza todos os anos, onde fanáticos, não só por comics (BD) mas também mangá, vídeo jogos, etc., se reúnem para partilhar ideias, mostrar os seus cosplays, comprar merchandising, experimentar novos jogos, conhecer pessoas, aprender novas coisas. Concluindo, é um lugar onde as pessoas partilham o seu amor pelas suas personagens/histórias favoritas.


Agora como é que a nossa Comic Con se compara a outras espalhadas pelo globo? Bem.... não foi perfeita. Tenho que admitir que a organização não era 5 estrelas, as palestras não eram as mais interessantes, e os convidados, embora interessantes, deixaram um bocado a desejar por alguém mais importante.

OK.... Então valeu a pena? CLARO. Foi algo inesquecível. Embora todos os pontos referidos em cima sejam verdade não são, de todo, dealbreakers. A organização foi a necessária, as palestras decerto foram excitantes a quem tirou proveito delas (embora não muitos) e os convidados foram interessantes, no mínimo. E de bom o que lá havia?

Por onde começar... Primeiro, acho que a melhor parte foi sem dúvida a atmosfera lá dentro. Nunca tinha estado num lugar onde se realmente leva a sério este tipo de coisas. Andávamos pelos corredores e as conversas paralelas eram sobre que super herói derrotaria qual, que anime alguém deveria ver a seguir, quanto é que se devia gastar numa réplica da mascara do Joker (inimigo do Batman) e a lista continua.


Outro ponto forte foi a zona de merchandising: um armazém inteiro de lojas de manga, vídeo jogos, jogos de tabuleiro, peluches, t-shirts, comida japonesa, periféricos para o computador, réplicas, e porta chaves.... tantos porta chaves! Embora os preços não tenham sido os mais baixos (até acho que alguns estavam mais altos do que o normal) é verdade que havia lá coisas que seriam quase impossíveis de encontrar sem ser lá. Será que gastei mas do que devia? Bem.... depende da definição de muito dinheiro que deve ser gasto em coisas deste género. Arrependi-me de as comprar? Não... aliás, até me arrependo de não ter comprado alguns objectos. A escolha de produtos era enorme. Com bastante variação para cada tema. E se crias a expectativa de alguma coisa de certeza que a encontras. A não ser que já esteja esgotado.

Em conclusão, os seus problemas podem ser desculpados pelo facto de esta ser a 1º edição em Portugal. E visto que este foi o maior evento de pop culture no nosso país (sem contar se calhar com o IberAnime, que se foca só em anime) é só de esperar que a próxima edição da Comic Con vá ser muito melhor.  E se esta já foi espectacular, a próxima vai ser inimaginavelmente incrível. E já sabem quem vai participar nessa.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Festa do Cinema Francês despede-se das Caldas da Rainha com duas perspetivas da infância

A Festa do Cinema Francês disse adeus às Caldas da Rainha, no passado sábado, após três dias de festival. O evento, embora pouco divulgado pela cidade, teve uma boa aderência do público caldense graças ao cartaz que não primou pela quantidade, mas pela qualidade dos filmes passados, todos eles diferentes uns dos outros mas sempre bastante interessantes.

O último dia terminou com dois filmes em exibição que mostram a infância de duas perspetivas muito distintas: As Férias do Menino Nicolau e A Caminho da Escola.

As críticas a estes dois filmes encontram-se no Espalha-Factos

domingo, 9 de novembro de 2014

Hope

HOPE
de Boris Lojkine
com: Endurance Newton e Justin Wang
A segunda noite da Festa do Cinema Francês nas Caldas da Rainha teve em exibição um filme forte de arrepiar a espinha: Hope.

A história gira em torno do camaronês Léonard (Justin Wang) e da senegalesa Hope (Endurance Newton), que tentam em conjunto atravessar o deserto e o mar Mediterrâneo para chegarem a Espanha e começarem uma nova vida. Esta jornada vai ser contada cruelmente pelas câmaras de Boris Lojkine, que, mesmo sem mostrar explicitamente as cenas mais fortes do seu filme, não irá parar de chocar o público com as várias vivências dos dois protagonistas de Hope.

Ninguém poderá ficar indiferente às imagens desta longa-metragem, filmadas quase sempre em ambientes escuros e claustrofóbicos, e as brilhantes performances de Wang e Newton (que partilham ainda entre si uma doce química) contribuem para que caia sobre o filme um véu de realismo que faz com que cada minuto seja vivido mais de perto pelas audiências. Aliás, Hope deveria ser uma fita obrigatória para os europeus que veem estas duras migrações dos africanos do outro lado do Mediterrâneo e que nem imaginam as verdadeiras atrocidades por que eles passam.

Podem ler a crítica completa no Espalha-Factos

sábado, 8 de novembro de 2014

Attila Marcel

ATTILA MARCEL
de Sylvain Chomet
com: Guillaume Gouix, Anne Le Ny, Bernadette Lafont,
Hélène Vincent, Luis Rego e Fanny Touron
A Festa do Cinema Francês aterrou agora nas Caldas da Rainha e a sua primeira sessão foi Attila Marcel, um filme simples e delicado mas ao mesmo tempo surpreendente graças ao seu ambiente invulgar.

Attila Marcel parece ser mais um daqueles dramas ligeiros cuja narrativa lenta pode impossibilitar um maior interesse pela sua história. E, de facto, não se pode afirmar que o seu ritmo seja muito acelerado, havendo inclusivamente algumas cenas aborrecidas. Mesmo assim, o filme acaba por compensar a sua “lentidão” com meia dúzia de personagens bastante engraçadas e caricatas que vão protagonizando uma série de situações ora mais comoventes ora mais cómicas, vividas em cenários muito bem construídos, cheios de cor e objetos bizarros e, ao mesmo tempo, cativantes.

Sylvain Chomet, mais conhecido pelos seus trabalhos no cinema de animação, assinou não só a realização mas também o argumento de Attila Marcel, conseguindo conjugar eficazmente a originalidade dos seus planos mais ambiciosos com alguns dos seus diálogos mais profundos. Por vezes, há que admitir, Chomet toma decisões menos acertadas na construção do seu trabalho, como quando, por breves momentos, deslocou o foco da história de Paul para Madame Proust sem que muito o justificasse, e perde-se facilmente o interesse no filme.

A crítica completa encontra-se no Espalha-Factos

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - o último dia


O MOTELx 2014 fechou este domingo e ficou novamente provado que este é um dos melhores eventos culturais nacionais, com um público muito fiel, um grande ambiente e diversão constante. Infelizmente o Milímetro a Milímetro esteve apenas presente numa sessão, tendo perdido a sessão de encerramento e alguns outros filmes que pareciam muito interessantes.

IT FOLLOWS
Realizado por David Robert Mitchell
Com: Maika Monroe, Keir Gilchrist, Jake Weary, Olivia Luccardi e Lili Sepe

Embora tenha um ambiente típico dos clássicos de terror, It Follows não consegue ultrapassar algumas dificuldades para criar sustos. Acompanha um grupo de adolescentes liderado por Jay, uma rapariga alegre que, depois de um encontro com um rapaz da escola que culminou com uma relação sexual, se vê perseguida por demónios que a querem matar. A única maneira de se livrar deles é ter sexo com outro rapaz, de modo a passar-lhe a maldição.

O facto de o elenco ser composto apenas por adolescentes e onde os seus pais nunca aparecem é digno de um filme de Carpenter. A relação que mantêm entre eles e a superiorizarão das personagens femininas só nos transportam mais para um típico clássico de terror, mas David Robert Mitchell começa a afastar-se desta definição dando um toque pessoal à sua obra. A banda sonora electrónica pode não resultar tão bem como em The Guest (filme que passou na sexta-feira também com a excelente Maika Monroe como protagonista principal), mas estabelece sem dúvida uma grande tensão em torno de algumas das cenas mais marcantes. Os sustos podem não ser tantos como o esperado, não por não existirem mas por serem muito previsíveis, mas não deixa de haver lugar para um ou outro instante mais assustador. Há ainda uma coisa muito interessante em It Follows: parece ser uma metáfora sobre doenças sexualmente transmissíveis. E ver simbologias e metáforas num filme de terror é raro e por isso é de louvar que David Robert Mitchell tenha tido a inteligência para o fazer. Claramente uma das obras mais interessantes do festival.

7/10


O último dia ficou ainda marcado pela entrega do Prémio MOTELx à curta-metragem Pela Boca Morre o Peixe, de João P. Nunes, considerada a melhor de toda a competição.

domingo, 14 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - imagens perturbadoras e confusas no pior dia do festival


O 4.º dia do MOTELx 2014 foi o pior de todos até agora. Não que os filmes tenham sido propriamente maus, mas não houve ontem a qualidade que se teve nos dias anteriores. O que vale foi a divertida Noite de Jogos de Terror a fechar o dia.

HONEYMOON
Realizado por Leigh Janiak
Com: Rose Leslie e Harry Treadaway

Depois de Álex de la Iglesia ter cancelado a sua masterclass, a organização do MOTELx decidiu repetir Honeymoon, o filme que havia esgotado a Sala 3 no primeiro dia de festival. Conta a história dos recém casados Bea e Paul na sua lua de mel, na casa do lago dos pais da noiva. Mas aquilo que parecia vir a ser uma semana tranquila torna-se trágica quando Paul descobre Bea nua na floresta. A partir daí, nada vai voltar a ser o mesmo para o casal.

Honeymoon é lento. Mesmo muito, muito lento. Para filme de terror há muito diálogo e muita background story e em vez de ir directa ao assunto das assombrações de Bea, Leigh Janiak apresenta durante demasiado tempo as personagens e prolonga muito a espera até ao momento porque todos aguardam, E quando finalmente somos presenteados com uma Bea creepy e assustadora, já o nosso interesse pelo filme desapareceu há algum tempo. Ainda assim não podemos ficar indiferentes as imagens perturbadoras e da boa construção de uma relação amorosa em decadência. É visível que Janiak tem muito jeito para cinema e seria interessante vê-la a realizar um drama ou um thriller psicológico (a forma como filma e como dirige os seus actores seriam perfeitos para tal), mas para o género de terror ainda lhe falta alguma coisa. Ou, neste caso, têm demasiada coisa.

6/10


OVER YOUR DEAD BODY 
Realizado por Takashi Miike
Com: Ko Shibasaki, Hitomi Katayama e Ebizô Ichikawa

Tal como acontece em Honeymoon, Over Your Dead Body é muito parado e demora a mostrar o que promete: uma história arrepiante e assustadora. E durante todo o filme é incrivelmente difícil seguir o enredo de tão confuso que ele é.

Baseado numa peça de teatro, Over Your Dead Body acompanha um grupo de actores dentro e fora dos palcos, onde a realidade se começa a confundir com a ficção. E é aí que começa a confusão. É difícil entender quando estamos a ver os actores no teatro ou em suas casas, se estão a ter flashbacks ou não, etc. E as imagens absolutamente chocantes, nojentas e desconcertantes que Takashi Miike cria parecem descontextualizadas, não trazendo nada à história e tornando-a ainda mais complicada e difícil de acompanhar. Apenas se pode dizer bem da incrível fotografia, das cenas de puro gore (que, mesmo sem sentido, são de arrepiar) e do bom trabalho dos actores, porque de resto nada se aproveita, num filme tão confuso quanto aborrecido.

3/10

sábado, 13 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - thriller em vez de terror


O terceiro dia do MOTELx 2014 não teve terror mas sim thriller, muito thriller.

THE GUEST
Realizado por Adam Wingard
Com: Dan Stevens, Maika Monroe e Brendan Meyer

Depois dos dois primeiros capítulos de V/H/S e do filme que fechou a 7.ª edição do MOTELx, You're Next, Adam Wingard voltou-se para um género thriller com The Guest.

E que thriller! Acompanhando a história de David, um ex-soldado da guerra do Afeganistão que regressa aos EUA para visitar a família do seu amigo Caleb, morto em combate, o filme está cheio de suspense e acção. Wingard elaborou um enredo absorvente, que em vez de cair nos clichés parece gozar com eles, e as interpretações do seu elenco também ajudaram, desde os jovens Maika Monroe e Brendan Meyer até ao carismático, badass e aterrador Dan Stevens. O argumento está recheado de humor negro e, quando não estamos nervosos ou com os corações aos saltos, estamos a dar umas boas gargalhadas. Há ainda uma grande sincronização da banda sonora com as cenas de acção. As músicas electrónicas ficam estranhamente bem por cima dos momentos mais sangrentos e dão-lhe uma nova pujança. Não é difícil perceber que The Guest é um dos melhores thrillers dos últimos anos.

8/10


OPEN WINDOWS
Realizado por Nacho Vigalondo
Com: Elijah Wood, Sasha Grey e Neil Maskell

O realizador Nacho Vigalondo apresentou o seu filme ao público antes da sessão começar. Disse que quem perder um minuto que seja de Open Windows terá perdido uma parte essencial do enredo. E Vigalondo não podia estar mais certo: a cada segundo há um novo plot twist que altera completamente a nossa perspectiva sobre os acontecimentos. Mas o desejo de ir criando surpresa atrás de surpresa faz com que essas mesmas surpresas começem a ficar cada vez mais estúpidas a cada momento que passa, e em vez de tornar Open Windows um grande thriller faz dele uma grandessíssima anedota.

Há também a irritante tentativa de se juntar Janela Indiscreta e A Arca Russa num só filme. Mas Open Windows também não consegue dar seguimento a isto, por duas razões. A homenagem ao clássico de Hitchcock no início até parece resultar minimamente, com a personagem Nick Chambers a observar pelo seu computador o que se passa no quarto da actriz Jill Goddard, mas depois afasta-se demasiado da ideia, deixando de ser apenas um filme de um rapaz a observar do seu quarto o que se passa noutro e tornando-se num filme de perseguições a alta velocidade. Quanto à adaptação do enorme filme russo, que é filmado durante 90 minutos em apenas um plano sem cortes, há que dizer que é risível a forma como Vigalondo o faz. A interminável hora e meia de Open Windows é vista através de um ecrã de computador, onde várias janelas e webcams estão abertas ao mesmo tempo e que a dada altura dá uma sensação de claustrofobia frustrante ao filme. E é óbvio que ninguém acredita que o que estamos a ver é em tempo real... O que vale são as boas interpretações de Elijah Wood e Sasha Grey e a ideia que, a princípio, até era interessante.

3/10


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - uma desilusão, uma surpresa e uma revisita à sátira de Brian Yuzna


Ao 2.º dia do MOTELx 2014 já houve muitos mais sustos do que no dia anterior. Desde uma excelente obra de terror tailandesa (que deu direito a um banquete oferecido pela embaixada da Tailândia antes da visualização) até ao clássico de culto de Brian Yuzna, sem esquecer uma das desilusões do festival, o público saiu finalmente a tremer do Cinema São Jorge.

THE BABADOOK
Realizado por Jennifer Kent
Com: Essie Davis e Noah Wiseman

Este era um dos filmes que mais expectativas tinha gerado à sua volta. Mas nos primeiros minutos começa-se a perceber que The Babadook não vai causar tantos sustos como prometia.

Em vez disso, a realizadora Jennifer Kent cria uma ambiente sinistro e escuro, que nos deixa bastante nervosos. Aliás, esse é o ponto forte de The Babadook: o seu incrível suspense. Porque de resto nada é totalmente original ou sequer bem orquestrado. A história é demasiado cliché para ser interessante, acompanhando uma família constituída por mãe e filho com vários problemas, e se consegue criar qualquer relação com as personagens. Os sustos pura e simplesmente não existem. Kent tenta por diversas vezes por o público a saltar da cadeira, mas todas as suas tentativas saem falhadas. O próprio Babadook, o mostro que atormenta a família, não é nada assustador.

Por isso, como filme de terror, The Babadook não consegue alcançar as expectativas que tínhamos dele. Mas graças a um suspense magnificamente construído por Jennifer Kent, suportado por um elenco muito bom (o jovem Noah Wiseman com apenas 7 anos já apresenta muitas qualidades) e um argumento com algum humor negro, a sua visualização acaba por ser agradável.

7/10


LAST SUMMER 
Realizado por Kittithat Tangsirikit, Sittisiri Mongkolsiri e Saranyoo Jiralak
Com: Sutatta Udomsilp, Pimpakan Praekunnatham, Jirayu Laongmanee e Ekawat Ekudchariya

Um filme de terror completíssimo, como já não se via há muito tempo. Hollywood podia começar a olhar para o tailandês Last Summer e perceber como assustar e criar uma história envolvente em torno das suas personagens.

À primeira vista até somos levados a pensar que a história de Last Summer é igual a tantas outras. Quatro amigos vão para uma casa de praia e uma das raparigas, Joy, morre, levando-os a ser assombrados pelo seu fantasma. Hum... Isto não parece lá muito original. Mas a verdade é que as três pequenas histórias do filme, todas elas interligadas pela tragédia da morte de Joy, realizadas por Kittithat Tangsirikit, Sittisiri Mongkolsiri e Saranyoo Jiralak são absolutamente fantásticas, não só porque são incrivelmente assustadoras mas também porque conseguem criar momentos comoventes e críticos à sociedade actual.

Todo o público ficou certamente com um nervoso miudinho, porque o ambiente macabro e o fantasma aterrador de Joy proporcionaram instantes muito assustadores, que fazem até lembrar alguns dos melhores filmes de terror japoneses. Mas os presentes na Sala Manoel de Oliveira foram também prendados com uma crítica à comunidade jovem do século XXI, que publica e comenta de tudo nas redes sociais, e ao perfeccionismo dos pais dos estudantes que os levam a ter acções erradas. Ficamos também muito próximos das personagens, sendo algumas cenas surpreendentemente comoventes e tocantes. Last Summer é sem dúvida um dos melhores filmes do festival. Incrível.

9/10


SOCIETY
Realizado por Brian Yuzna
Com: Billy Warlock, Devin DeVasquez, Evan Richards, Patrice Jennings, Connie Danese e Charles Lucia

"Nada é o que parece numa sociedade perfeita" e "Os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres" são as ideias que Society, o filme de culto de 1989, passa eficazmente através de imagens que não deixam ninguém indiferentes.

Bill é um rapaz normal que se vê desprezado pelos pais, que preferem mimar a sua irmã, Jenny. Até ali Bill nunca havia percebido porquê tanto desprezo nas quando o seu amigo Blanchard lhe entrega uma gravação de uma conversa entre Jenny e os seus pais, percebe que algo de muito estranho se passa no seio da sua família. A obra de Brian Yuzna continua tão chocante como quando estreou em 1989. Desde o seu surrealismo desconcertante até ao clímax sangrento e nojento final, o realizador faz uma sátira à sociedade de forma visceral. Embora algumas partes sejam mais aborrecidas (para um filme de hora e meia até demora muito a passar), o bom elenco e argumento vão conduzindo Society até uma cena final absolutamente inesquecível, que fica connosco muito tempo depois de ter acabado o filme. E, 25 anos depois, a crítica de Society permanece actual...

8/10

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - os primeiros sustos


Arrancou ontem a 8.ª edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. O ambiente típico do festival já se faz sentir no Cinema São Jorge, com muitos zombies a vaguear pela entrada do recinto, as decorações mais que apropriadas espalhadas por cada canto e até uma banca de gelados chamados "Bloody I Scream". E houve, claro, lugar para muitos filmes...

DOC OF THE DEAD
Realizado por Alexandre O. Philippe

Não houve melhor forma de abrir o festival. Doc of The Dead foi o segundo filme a passar hoje e foi sem dúvida o melhor do dia de abertura do MOTELx.

Não é apenas um documentário. É também uma divertida paródia aos filmes de zombies, com alguns sketches e canções originais absolutamente hilariantes. O realizador Alexandre O. Philippe entrevistou variadíssimas figuras míticas do terror, desde o icónico George A. Romero até ao divertido Simon Pegg. As várias personalidades falam não só da evolução dos mortos vivos dentro do grande ecrã, analisando muitos filmes de diferentes estilos (incluindo uma paródia pornográfica de The Walking Dead), mas também da forma como o público se familiarizou com as criaturas. Vão também discutindo como poderia reagir o mundo a um apocalipse zombie e se é melhor um walker lento ou rápido, enquanto Philippe vai ainda fazendo pequenas cenas muito engraçadas que expõem os clichés dos terrores.

Mas no meio de tanta diversão, Doc of the Dead alcança também o principal objectivo: documentar e explorar até às raízes o mundo dos mortos vivos. São muitas as curiosidades alheias ao público em geral que o filme partilha connosco e aguça-nos ainda a curiosidade de ir ver ou rever alguns dos maiores clássicos do terror. Um documentário muito completo, portanto, que se vê desde o início ao fim com um sorriso nos lábios e que aumenta também a nossa cultura zombie.

9/10


DER SAMURAI
Realizado por Till Kleinert
Com: Michel Diercks e Pit Bukowski

Chocante, ousado e provocador. Assim se pode descrever uma das longas-metragens mais estranhas que já pessoa pelo festival. Der Samurai acompanha Jakob, um jovem polícia de uma pequena terra alemã, que tenta descobrir o lobo que anda a atormentar a sua vila. Mas o que descobre nos bosques é um travesti que ergue na mão nada mais nada menos que uma espada samurai.

Só pela sinopse dá para perceber que isto não é um filme normal. Mas a verdade é que este ponto de partida acaba por ser o mais normal de todo Der Samurai, o primeiro trabalho de Till Kleinert. Tudo o que se passa a partir daqui é um festival de peculiaridades e coisas macabras, com muitas cabeças cortadas, uma relação homossexual desconcertante e carradas de surrealismo. Mas no meio disto tudo não dá para saltarmos da cadeira, para apanharmos um valente susto ou para, pelo menos, termos um nervoso miudinho dentro de nós. Kleinert falha em criar cenas de suspense, devido a movimentos de câmara previsíveis, o que retira depois qualquer eficácia nas cenas ditas assustadoras. Aliás, para filme de terror, Der Samurai é extremamente parado e aborrecido.

Mas não totalmente desinteressante! A fotografia das cenas filmadas à luz do sol é bastante atractiva, realçando as paisagens florestais que rodeiam a vila de Jakob e Pit Bukowski, que dá vida ao travesti samurai, tem uma performance perturbadora que faz até lembrar Ted Levine (o assustador Buffalo Bill de Silêncio dos Inocentes). E depois há uma cena que justifica sozinha a visualização do filme: a dança que Jakob tem com Der Samurai, à luz da fogueira, com corpos decapitados sentados a "observar" e uma música incrível de fundo. É um momento absolutamente mágico, com algum simbolismo, que compensa a maluquice entediante que Kleinert nos oferece nos restantes minutos de Der Samurai.

5/10


LIFE AFTER BETH
Realizado por Jeff Baena
Com: Aubrey Plaza, Dane DeHaan, John C. Reilly e Molly Shannon

Tinha tudo para resultar, mas falhou totalmente. Life After Beth é uma comédia negra sobre Beth, uma rapariga que ressuscita milagrosamente para grande alegria dos pais e do namorado, mas que há medida que o tempo vai passando se revela uma pessoa diferente e mortífera.

O grande erro do filme começa no seu elenco. Embora esteja cheio de bons nomes, parece que nenhum dos actores foi bem escolhido e o argumento, que até nem é mau, vai pelo cano abaixo muito devido àqueles que o transportam para o ecrã. Dane DeHaan e John C. Reilly são o exemplo disso mesmo: dois bons actores cujas personagens não lhes ficam nada bem, e cada fala e cada gesto não são nada convincentes, tornando a relação amorosa e paternal que mantêm com Beth, desempenhada por uma convincente Audrey Plaza, desprovida de qualquer química. A história de Life After Beth fica logo sem qualquer interesse, especialmente porque toda a parte cómica cai por terra.

Mas não são só os erros de casting que justificam a mediocridade do filme. O realizador Jeff Baena quis dar características indie à sua obra, estando então cada plano sujeito à câmara tremida e a uma banda sonora mais fora do comum por detrás de cada cena. E deu algum resultado? Não. Aliás, se isto fez alguma coisa a Life After Beth foi banalizá-lo e tirar-lhe qualquer tom de originalidade. Baena vai ainda ficando sem imaginação e chegando a meio do filme começa a inventar peripécias com demasiadas personagens secundárias que em nada ajudam o enredo a tornar-se interessante. E se ainda havia esperanças que o cineasta conseguisse ao menos fechar como deve ser a sua primeira longa-metragem, elas são mortas com um desfecho apressado e feito para despachar o mais rapidamente possível a história.

Enfim, a sessão de abertura este ano do MOTELx não foi digna de abrir um festival como este. Infelizmente...

4/10


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

MUVI Lisboa’14 – (re)ver os vencedores e dizer adeus a um festival que (en)cantou

Foi com três sessões totalmente dedicadas aos vencedores das diferentes competições que terminou o MUVI Lisboa’14, um festival cuja primeira edição correu muito bem no Cinema São Jorge. Desde os bons filmes passados nas várias salas até aos grandes concertos do Showcase, sem esquecer as interessantes sessões especiais e o constante excelente ambiente que por lá se viveu, este é um evento ao qual muitos querem voltar para o ano.



domingo, 7 de setembro de 2014

MUVI Lisboa’14 – também há qualidade fora da competição

O quarto dia do MUVI Lisboa’14 começou com o anúncio dos vencedores da primeira edição do festival, que receberam os seus prémios no início da sessão de encerramento. Por isso todos os filmes que passaram no penúltimo acorde tocado no Cinema São Jorge estiveram fora de competição, mas nem isso impediu alguns deles de se tornarem nos mais interessantes de todo o certame. Houve também tempo para ficarmos a conhecer os novos temas dos TOCHAPESTANA e para nos despedirmos dos excelentes concertos do Showcase com os magníficos First Breath After Coma.

MUVI Lisboa’14 – o melhor e o pior do festival num só dia

O terceiro dia do MUVI Lisboa’14 ficou marcado pela bipolaridade: foi passado tanto o melhor como o pior filme de todo o festival até agora, e o concerto de PZ no final da noite teve tanto de divertido como de desinteressante.



sábado, 6 de setembro de 2014

MUVI Lisboa’14 – muitos videoclips, duas biografias e um concerto fantástico

No segundo dia do MUVI Lisboa’14 houve uma notória melhoria na qualidade dos filmes que passaram pelo Cinema São Jorge, bem como a estreia da secção Canções Com Gente Dentro, onde o público pode assistir a videoclips fantásticos. A noite terminou com um excelente concerto do português David Santos, conhecido no mundo da música por Noiserv.

Canções Com Gente Dentro
Foram 19 os vídeos musicais que compuseram a primeira sessão da competição Canções Com Gente Dentro, todos eles realizados e/ou interpretados por artistas portugueses. O melhor foi Little Secret dos Stereoboy & Emmy Curl.


Oblivion - Paulo Segadães e Paulo Furtado (2014)
Um pequeno filme magnífico, um verdadeiro espetáculo de luz e som, que conta a história de dois supostos ex-amantes que se perseguem e são perseguidos pelo fantasma do outro. Fantástico.


Mudar de Vida: José Mário Branco, vida e obra - Nelson Guerreiro e Pedro Fidalgo (2012)
Um documentário muito bem conseguido, que o grande cantor português já merecia e que é aconselhável àqueles que quiserem (re)descobrir a vida, a obra e o seu tempo.


Boa e Velha Freda (Good Ol’ Freda) - Ryan White (2013)
As paixonetas, a relação maternal com a mãe de Ringo Starr, os despedimentos relâmpago que observou ou ordenou na sua carreira… são apenas algumas das histórias divertidas que a secretária vai narrando e que faz o público gostar cada vez mais dela.


Showcase com Noiserv
Foi muita a admiração que se teve por Noiserv desde o momento em que tocou a primeira música até à conversa final com o público, na segunda sessão do Showcase do MUVI Lisboa’14. Foi um concerto emocionante, onde se pôde observar como o músico constrói as suas músicas com diferentes instrumentos e com uma mestria e concentração assinaláveis.




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

MUVI Lisboa’14 – o primeiro acorde de um novo festival

Iniciou-se ontem a primeira edição do MUVI Lisboa, o primeiro festival de cinema em Portugal totalmente dedicado à música. Foi um primeiro dia onde a qualidade dos filmes ainda não se revelou muito alta, mas onde já deu para perceber que até ao próximo domingo não vão faltar animação e agradáveis melodias no Cinema São Jorge.

Marina - Stijn Coninx (2013)
Marina tem na base um enredo que poderia ser muito interessante e comovente, mas por várias razões o filme não se consegue descolar dos seus clichés e fracos valores de produção.

Our Vinyl Weighs a Ton - Jeff Broadway (2013)
o documentário é um registo muito curioso sobre a Stones Throw, que não só mostra o difícil caminho que teve de atravessar como também aviva a memória em relação a alguns nomes marcantes da música que entretanto caíram no esquecimento.

Showcase com NBC
O músico oriundo de Torres Vedras que conta já com uma carreira de 20 anos prendou uma sala bem composta com um incrível concerto. A sua energia em palco foi contagiante, e difícil era estar quieto na cadeira enquanto ia tocando alguns dos seus maiores êxitos,

sábado, 17 de maio de 2014

Reportagem: Museum of the Moving Image, Nova Iorque

Situado em Queens, o Museum of the Moving Image abriu em 1988, no local onde se localizavam os lendários Kaufman Astoria Studios, onde se filmaram alguns filmes dos irmãos Marx ou a primeira aventura sonora de Sherlock Holmes em 1929. Em 2008 o museu recebeu um investimento de 65 milhões de dólares para aumentar o espaço e construir uma sala de cinema dentro do edifício.

O último andar do edifício é onde o verdadeiro museu, com todas as suas exposições permanentes, começa. Quando entramos na primeira grande divisão, vemos réplicas dos mais primários instrumentos de reprodução de movimento e ainda uma ou outra câmara das mais antigas. Há depois um espaço interativo onde cada visitante poderá fazer um pequeno vídeo em stop motion e enviá-lo por mail para os seus familiares e amigos.

A visita pelo Museum of the Moving Image continua no 1.º piso. Logo à entrada está uma réplica de uma sala de estar típica dos anos 60, com uns sofás muito felpudos e a série de desenho-animado O Fantástico Homem-Aranha a passar na TV. Uma das outras atrações são os jogos de arcada. Quem visitar o museu terá a oportunidade de jogar desde Donkey Kong até Space Invaders, tendo de pagar 50 cêntimos para tal, exceto no icónico Pac-Man, que é grátis.