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IDA
de Paweł Pawlikowski
com: Agata Kulesza, Agata Trzebuchowska
e Dawid Ogrodnik |
Louvado entusiasticamente por alguns críticos, que o elevaram ao estatuto de obra-prima, Ida é, afinal, uma mera tentativa de criar sentimentos e empatia no público que vai nele encontrar algo enfadonho.
Por muita água na boca que deixe esta sinopse, nunca ou quase nunca se dá seguimento à, diga-se, excelente ideia que o realizador Paweł Pawlikowski teve para o seu filme. Até os primeiros minutos, recheados de momentos muito bonitos e até um humor negro discreto, faziam prever uma obra que se focasse em confrontos de gerações e religiões, através das feridas que a 2.ª Guerra Mundial deixou na Polónia. Mas não. Em vez disso a história progride ao longo de 80 minutos de uma forma quase que indiferente, onde os dramas familiares e a relação entre Ida e Wanda parecem relegadas para segundo plano.
É pena. É pena que com tantos bons recursos disponíveis esta forma de contar a história de Ida tenha sido tão má. O já referido elenco está ótimo, mas não é o único aspeto utilizado em vão. O próprio Pawlikovski tem uma realização radical, evitando na maior parte das vezes por as suas personagens no centro do plano e filmando os seus atores, especialmente nas cenas dentro do convento de freiras, acima do nível dos olhos. Há ainda um incrível cuidado na iluminação, nos cenários e nas paisagens. São estes pequenos detalhes que podiam fazer do filme algo muito mais espetacular.
4/10