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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - o último dia


O MOTELx 2014 fechou este domingo e ficou novamente provado que este é um dos melhores eventos culturais nacionais, com um público muito fiel, um grande ambiente e diversão constante. Infelizmente o Milímetro a Milímetro esteve apenas presente numa sessão, tendo perdido a sessão de encerramento e alguns outros filmes que pareciam muito interessantes.

IT FOLLOWS
Realizado por David Robert Mitchell
Com: Maika Monroe, Keir Gilchrist, Jake Weary, Olivia Luccardi e Lili Sepe

Embora tenha um ambiente típico dos clássicos de terror, It Follows não consegue ultrapassar algumas dificuldades para criar sustos. Acompanha um grupo de adolescentes liderado por Jay, uma rapariga alegre que, depois de um encontro com um rapaz da escola que culminou com uma relação sexual, se vê perseguida por demónios que a querem matar. A única maneira de se livrar deles é ter sexo com outro rapaz, de modo a passar-lhe a maldição.

O facto de o elenco ser composto apenas por adolescentes e onde os seus pais nunca aparecem é digno de um filme de Carpenter. A relação que mantêm entre eles e a superiorizarão das personagens femininas só nos transportam mais para um típico clássico de terror, mas David Robert Mitchell começa a afastar-se desta definição dando um toque pessoal à sua obra. A banda sonora electrónica pode não resultar tão bem como em The Guest (filme que passou na sexta-feira também com a excelente Maika Monroe como protagonista principal), mas estabelece sem dúvida uma grande tensão em torno de algumas das cenas mais marcantes. Os sustos podem não ser tantos como o esperado, não por não existirem mas por serem muito previsíveis, mas não deixa de haver lugar para um ou outro instante mais assustador. Há ainda uma coisa muito interessante em It Follows: parece ser uma metáfora sobre doenças sexualmente transmissíveis. E ver simbologias e metáforas num filme de terror é raro e por isso é de louvar que David Robert Mitchell tenha tido a inteligência para o fazer. Claramente uma das obras mais interessantes do festival.

7/10


O último dia ficou ainda marcado pela entrega do Prémio MOTELx à curta-metragem Pela Boca Morre o Peixe, de João P. Nunes, considerada a melhor de toda a competição.

sábado, 13 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - thriller em vez de terror


O terceiro dia do MOTELx 2014 não teve terror mas sim thriller, muito thriller.

THE GUEST
Realizado por Adam Wingard
Com: Dan Stevens, Maika Monroe e Brendan Meyer

Depois dos dois primeiros capítulos de V/H/S e do filme que fechou a 7.ª edição do MOTELx, You're Next, Adam Wingard voltou-se para um género thriller com The Guest.

E que thriller! Acompanhando a história de David, um ex-soldado da guerra do Afeganistão que regressa aos EUA para visitar a família do seu amigo Caleb, morto em combate, o filme está cheio de suspense e acção. Wingard elaborou um enredo absorvente, que em vez de cair nos clichés parece gozar com eles, e as interpretações do seu elenco também ajudaram, desde os jovens Maika Monroe e Brendan Meyer até ao carismático, badass e aterrador Dan Stevens. O argumento está recheado de humor negro e, quando não estamos nervosos ou com os corações aos saltos, estamos a dar umas boas gargalhadas. Há ainda uma grande sincronização da banda sonora com as cenas de acção. As músicas electrónicas ficam estranhamente bem por cima dos momentos mais sangrentos e dão-lhe uma nova pujança. Não é difícil perceber que The Guest é um dos melhores thrillers dos últimos anos.

8/10


OPEN WINDOWS
Realizado por Nacho Vigalondo
Com: Elijah Wood, Sasha Grey e Neil Maskell

O realizador Nacho Vigalondo apresentou o seu filme ao público antes da sessão começar. Disse que quem perder um minuto que seja de Open Windows terá perdido uma parte essencial do enredo. E Vigalondo não podia estar mais certo: a cada segundo há um novo plot twist que altera completamente a nossa perspectiva sobre os acontecimentos. Mas o desejo de ir criando surpresa atrás de surpresa faz com que essas mesmas surpresas começem a ficar cada vez mais estúpidas a cada momento que passa, e em vez de tornar Open Windows um grande thriller faz dele uma grandessíssima anedota.

Há também a irritante tentativa de se juntar Janela Indiscreta e A Arca Russa num só filme. Mas Open Windows também não consegue dar seguimento a isto, por duas razões. A homenagem ao clássico de Hitchcock no início até parece resultar minimamente, com a personagem Nick Chambers a observar pelo seu computador o que se passa no quarto da actriz Jill Goddard, mas depois afasta-se demasiado da ideia, deixando de ser apenas um filme de um rapaz a observar do seu quarto o que se passa noutro e tornando-se num filme de perseguições a alta velocidade. Quanto à adaptação do enorme filme russo, que é filmado durante 90 minutos em apenas um plano sem cortes, há que dizer que é risível a forma como Vigalondo o faz. A interminável hora e meia de Open Windows é vista através de um ecrã de computador, onde várias janelas e webcams estão abertas ao mesmo tempo e que a dada altura dá uma sensação de claustrofobia frustrante ao filme. E é óbvio que ninguém acredita que o que estamos a ver é em tempo real... O que vale são as boas interpretações de Elijah Wood e Sasha Grey e a ideia que, a princípio, até era interessante.

3/10