O 4.º dia do MOTELx 2014 foi o pior de todos até agora. Não que os filmes tenham sido propriamente maus, mas não houve ontem a qualidade que se teve nos dias anteriores. O que vale foi a divertida Noite de Jogos de Terror a fechar o dia.
HONEYMOON
Realizado por Leigh Janiak
Com: Rose Leslie e Harry Treadaway
Depois de Álex de la Iglesia ter cancelado a sua masterclass, a organização do MOTELx decidiu repetir Honeymoon, o filme que havia esgotado a Sala 3 no primeiro dia de festival. Conta a história dos recém casados Bea e Paul na sua lua de mel, na casa do lago dos pais da noiva. Mas aquilo que parecia vir a ser uma semana tranquila torna-se trágica quando Paul descobre Bea nua na floresta. A partir daí, nada vai voltar a ser o mesmo para o casal.
Honeymoon é lento. Mesmo muito, muito lento. Para filme de terror há muito diálogo e muita background story e em vez de ir directa ao assunto das assombrações de Bea, Leigh Janiak apresenta durante demasiado tempo as personagens e prolonga muito a espera até ao momento porque todos aguardam, E quando finalmente somos presenteados com uma Bea creepy e assustadora, já o nosso interesse pelo filme desapareceu há algum tempo. Ainda assim não podemos ficar indiferentes as imagens perturbadoras e da boa construção de uma relação amorosa em decadência. É visível que Janiak tem muito jeito para cinema e seria interessante vê-la a realizar um drama ou um thriller psicológico (a forma como filma e como dirige os seus actores seriam perfeitos para tal), mas para o género de terror ainda lhe falta alguma coisa. Ou, neste caso, têm demasiada coisa.
6/10
6/10
OVER YOUR DEAD BODY
Realizado por Takashi Miike
Com: Ko Shibasaki, Hitomi Katayama e Ebizô Ichikawa
Tal como acontece em Honeymoon, Over Your Dead Body é muito parado e demora a mostrar o que promete: uma história arrepiante e assustadora. E durante todo o filme é incrivelmente difícil seguir o enredo de tão confuso que ele é.
Baseado numa peça de teatro, Over Your Dead Body acompanha um grupo de actores dentro e fora dos palcos, onde a realidade se começa a confundir com a ficção. E é aí que começa a confusão. É difícil entender quando estamos a ver os actores no teatro ou em suas casas, se estão a ter flashbacks ou não, etc. E as imagens absolutamente chocantes, nojentas e desconcertantes que Takashi Miike cria parecem descontextualizadas, não trazendo nada à história e tornando-a ainda mais complicada e difícil de acompanhar. Apenas se pode dizer bem da incrível fotografia, das cenas de puro gore (que, mesmo sem sentido, são de arrepiar) e do bom trabalho dos actores, porque de resto nada se aproveita, num filme tão confuso quanto aborrecido.
3/10
3/10



