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terça-feira, 15 de julho de 2014

Água de Mar

ÁGUA DE MAR
de 2.ª a 6:ª na RTP1
com: Mariana Monteiro, Rui Santos, Jorge Corrula,
Sónia Balacó, Pedro Teixeira, Mafalda Vilhena e Sofia Aparício
Como no Milímetro a Milímetro não se vive só de cinema, também apetece às vezes fazer um zapping pela TV. E, para variar, vai ser aqui escrita a minha opinião sobre aquilo que vi ontem na RTP1 em horário nobre: Água de Mar.

Esta nova novela do primeiro canal é a mais recente aposta para atrair o público jovem. As tentativas de criar aqui uns novos Morangos com Açúcar não se podem negar, visto que há uma nítida tentativa de criar um grupo de personagens capazes de cativar o público adolescente. Mas o problema começa aí. Ao contrário do que se fez com a série da TVI (nota: não sou fã dos Morangos, acho aquilo paupérrimo a nível de história, realização e de elenco), a RTP foi buscar um elenco já conhecido. Mariana Monteiro, Rui Santos, Jorge Corrula, Sónia Balacó, entre tantos outros, mal se conseguem descolar de uma imagem que têm predefinida graças aos seus projectos anteriores (em outros canais...).

O primeiro episódio de Água de Mar (bem, só este nome dá para perceber que isto não é lá grande espingarda) começa até com alguma qualidade. A praia da Foz do Arelho (na novela renomeada Praia das Conchas) é filmada dinamicamente, com uma boa apresentação visual das personagens e uma música animada de fundo. Mas tudo isso acaba quando abrem a boca. Começam a aparecer aqueles diálogos clichés de telenovela, o que para um projecto que se quer destacar em horário nobre não é muito aconselhável, que tornam tudo mais anedótico.

Há um excesso de atenção dado a protagonistas que se adivinham já não ir ter qualquer compaixão pelo público. As tias que passam o tempo no cabeleireiro e os velhotes em mudanças são histórias que parecem não ter muitas pernas para andar e que vão aborrecer o tal público jovem que a RTP tanto quer conquistar. Aquilo que interessa mesmo, o tal "sal, sol e rock n' roll" do slogan da série, acaba por ser também uma estapafúrdia tentativa de criar um conjunto de personagens capazes de conquistar adolescentes. 

Visualmente até pode iludir os menos exigentes, já que a quantidade de corpos esbeltos em biquíni e bíceps molhados é elevada, mas graças a actuações pobres e um argumento a roçar o rasca ninguém pode encontrar ali algo de bom. Pedro Barroso é o exemplo máximo disto mesmo. As raparigas irão definitivamente delirar com o actor, já que ele passa o tempo com os calções puxados para cima e o peito inchado quase a rasgara a camisola de nadador salvador, mas o homem não consegue representar. Ainda que com o que ele tem para dizer até se compreende, já que aquelas falas não hão de dar grande motivação a quem tem que dizê-las. Generalizando, os diálogos dramáticos não vão além de conversas já vistas em tantas outras séries televisivas e quando os argumentistas querem dar um toque do humor, o tiro sai completamente ao lado.

O que há mais a dizer? Bem, com personagens tão más mal se conseguem memorizar os seus nomes. Por enquanto há o tipo do saxofone, o nadador todo bom, a rapariga de luto, as tias ninfomaníacas, a rapariguinha que quer ser cantora, etc. E com apenas um episódio já se pode começar a ver o destino de cada um destes intervenientes, já que previsibilidade é a palavra de ordem em Água de Mar. Mal se viram aqueles quatro amigos bêbados no bar, já se sabia que iriam quase que morrer afogados no mar. Mesmo a níveis técnicos a série é um desastre, recheado de transições idiotas para flashbacks estúpidos e problemas graves de montagem.

Mas é com isto que a RTP1 vai preencher a grelha durante o horário nobre deste verão. Depois de um mês com excelentes audiências graças ao Mundial 2014, o primeiro canal vai começar a deitar água e mais tarde ou mais cedo vai afundar-se (como já aconteceu ontem à noite), porque Água de Mar é uma âncora demasiado fraca para se manter à tona.

segunda-feira, 3 de março de 2014

O Filme Lego

Divertido, inteligente e criativo, é O Filme Lego

File:The Lego Movie poster.jpg
THE LEGO MOVIE
de Phil Lord e Christopher Miller
com as vozes de (VP): Jorge Corrula, Vera Kolodzig,
João Lagarto, Marco Delgado e Fernando Luís
Quando se faz um filme de animação, o principal objectivo dos produtores é agradar tanto a miúdos e a graúdos. E os produtores deste O Filme Lego podem encher o peito e alegremente dizer que atingiram esse objectivo, para além de terem feito um divertidíssimo filme de animação.

Emmet é um zé ninguém, que vive na sua ingenuidade num mundo monótono, onde reina a rotina. Até que um dia, por acidente, ele descobre a chave para a libertação do mundo das mãos do Lorde Negócios. Emmet e os seus novos companheiros, onde se destacam Supercool, Batman e Vitruvius, partem assim numa aventura para restaurar a paz.

Ao contrário do que se tem passado com os filmes de animação dos últimos anos, O Filme Lego perde com a versão portuguesa. Não é que a nossa dobragem esteja má (as vozes de Jorge Corrula como Emmet e Vera Kolodzig como Supercool estão bastante engraçadas), mas o argumento original do filme joga muito com trocadilhos ou expressões americanas, que não têm o mesmo efeito na língua portuguesa. Para além disso, ficamos privados de ouvir Morgan Freeman na personagem Vitruvius, que na versão portuguesa é dobrado por João Lagarto (que, não estando nada mal, está a anos luz de Freeman).

Independentemente deste pequeno problema, é inquestionável o quão maravilhoso é O Filme Lego. Sendo um filme para a miudagem, o enredo não difere de todos os outros filmes de animação: o herói é a personagem menos provável mas acaba por ganhar no fim. Aquilo que torna esta longa-metragem mais original que a maioria de todas as outras é a forma como chega a esse desfecho.

Há uma enorme imaginação por parte dos criadores d'O Filme Lego. Não é a estreia das mais famosas peças do mundo no cinema (lembro-me vagamente do mediano Bionicles: Máscara da Luz), mas é a primeira vez que o Lego está tão bem representado no grande ecrã. Todos os cenários são feitos de Lego, as explosões são feitas de Lego, a água, o céu, os carros... Todo o filme é uma grande exposição do brinquedo preferido de toda a gente e a forma como Phil Lord e Christopher Miller (os construtores desta grande animação) se divertem a construir vários gadgets e adereços não deixam de nos maravilhar. O filme sabe também gozar consigo mesmo e, em vez de cair em clichés, goza com eles, o que acaba por torná-lo mais descontraído.

São estes aspectos que entretêm os miúdos. Nada atrai mais um jovem espectador que um filme colorido, divertido e com uma história simples de acompanhar. Mas então o que há para os adultos gostarem desta produção? Bem, em primeiro há tudo aquilo anteriormente dito. O Filme Lego não é demasiado infantil e todos os adultos acabam por gostar igualmente de ver tantas peças de Lego em movimento. Depois existe um bem orquestrado argumento escrito pelos realizadores que contém muitas e variadíssimas referências à cultura pop (referências essas que os miúdos, infelizmente, ainda não vão perceber), desde as óbvias como Guerra das Estrelas ou Senhor dos Anéis até às mais escondidas como as de Andy Warhol. E os minutos finais vão provavelmente recordar a muitos a sua infância, naquele que é um muito original e comovente plot twist na história.

O Filme Lego é explosivo, divertido e inteligente, e consegue agradar a toda a família. É muito mais que um simples filme de animação: é uma homenagem ao imaginário que as famosas peças deram a várias gerações.

9/10