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| HOURS de Eric Heisserer com: Paul Walker e Genesis Rodriguez |
Nolan Hayes (Paul Walker) entra no hospital com a sua mulher Abigail (Genesis Rodriguez) que está prestes a dar à luz. Infelizmente, Abigail morre durante o parto e Nolan vê-se sozinho com uma bebé recém-nascida. Para agravar a situação, o furacão Katrina atinge a costa. Com o hospital evacuado e sem energia, Nolan vê-se numa luta contra o tempo para salvar a sua filha, que necessita de uma incubadora para se manter viva.
É a partir deste plot que Eric Heisserer constrói o seu primeiro filme como realizador, após ter escrito alguns dos mais fracos remakes de terror dos últimos anos (The Thing, Pesadelo em Elm Street e Último Destino 5). O filme é um suposto suspance, mas a realização medíocre de Heisser não deixa qualquer nervoso miudinho dentro do espectador e anda à volta do mesmo assunto sem nunca chegar a lado nenhum durante uns 90 minutos que teimam em não passar. Heisserer é igualmente o argumentista de Horas. E o argumento é, aliás, uma das piores coisas do filme: é cliché, previsível e não dá nada a qualquer das suas personagens. Parece haver uma tentativa desesperada de fazer de Horas um filme como Cast Away ou Gravidade (filmes com uma só personagem e um só espaço onde decorre a acção), mas, em vez disso, cria-se apenas uma implacável máquina de encher chouriços, com diálogos fraquíssimos e algumas das piores cenas de cinema dos últimos tempos.
Paul Walker interpreta a única personagem do filme (há umas cinco outras que, por culpa dos actores e do argumento, não chegam sequer ao estatuto de personagem secundária) e bem se esforçou para conseguir dar alguma profundidade a Nolan. Mas as qualidades de actor de Walker não vão muito para além de umas caras zangadas e uns choros sem qualquer naturalidade. E, quando se dá a um actor médio uma personagem que nada tem para explorar, o resultado não pode ser grande coisa. Nolan é um tipo que passa metade do tempo a ter flashbacks da mulher e uma outra metade a dar à manivela do gerador que mantém a sua filha a respirar. Nem mais, nem menos. Visto bem as coisas, o pobre Walker não tinha mesmo campo nenhum para semear alguma coisa que valesse a pena.
Horas foi também uma tentativa falhada de recordar um pouco os trágicos acontecimentos do furacão Katrina. Devem existir umas quantas histórias mais interessantes e verídicas que tenham decorrido durante aqueles trágicos dias, mas Heisserer decidiu optar por uma bem mais maçadora e ficcional. Aliás, se não fossem os pequeninos segmentos de noticiários e um ou outro calendário na parede, a acção de Horas podia muito bem ter sido passada na China durante o período anual das cheias. E essas tais cheias nunca chegaram a representar sequer uma pequena ameaça em qualquer momento do filme...
O último filme de Paul Walker será recordado por isso mesmo: a morte prematura do actor. Isso é, aliás, a melhor publicidade que o filme pode ter, visto que não há muito mais que possa levar qualquer pessoa a querer ver Horas, o filme mais aborrecido do ano.
2/10
2/10

