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| NON, OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR de Manoel de Oliveira com: Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, Miguel Guilherme, Luís Lucas, Carlos Gomes, Ruy de Carvalho e Leonor Silveira |
Ser português é olhar para trás na nossa História e constatar uma série de triunfos que, num enorme contraste com a situação atual do país, faziam de nós uma das maiores e mais ricas nações do mundo. Seria portanto de supor que um filme como Non, ou a Vã Glória de Mandar, que se propõem a olhar para o nosso passado, fosse recriar no grande ecrã um conjunto de episódios gloriosos do passado de Portugal.
Contudo, o épico de Manoel de Oliveira – que relembramos hoje no Hollywood, tens cá disto? não só em jeito de homenagem ao realizador que este ano nos deixou, mas também para antever o ciclo a que o mestre do cinema português tem direito na Viennale que agora decorre na Áustria –olha antes para Portugal segundo uma perspetiva da derrota. O nosso “guia turístico” por essa série de infortúnios, nascidos de um desejo de expandir o nosso Império, é o tenente Cabrita, que em plena África durante a Guerra Colonial vai partilhando e discutindo com os seus colegas de batalhão visões sobre o nosso passado.
Desde o assassinato de Viriato até à infame Batalha de Alcácer-Quibir, são percorridos séculos de derrotas, ligadas todas elas a uma sede insaciável de alargar o Império Português o mais possível, com resultados sempre trágicos. Os próprios protagonistas que vão narrando os flashabcks vivem naquele que foi o último suspiro do colonialismo nacional, surgindo várias discussões entre soldados (uns a favor do regime salazarista e apoiantes da guerra, outros sentindo-se obrigados a combater por uma causa na qual não se reveem) sobre a Guerra Colonial.
Para além de ser um dos meus filmes favoritos, Non... marca também o regresso da rubrica "Hollywood, Tens Cá Disto?" do Espalha-Factos. É lá que podem encontrar a revisitação completa a este grande título do cinema português.


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