sexta-feira, 20 de março de 2015

As Asas do Vento

風立ちぬ (THE WIND RISES)
de Hayao Miyazaki
com as vozes de (VO): Hideaki Anno, Miori Takimoto,
Hidetoshi Nishijima, Masahiko Nishimura e Mirai Shida
Não me vou alargar muito nesta crítica a As Asas do Vento por duas razões. Primeiro porque cada palavra que escrever neste artigo vai-se traduzir em mais um hater do meu blog e da minha pessoa (se é que já tenho algum). E segundo porque me custa muito, mesmo muito!, falar mal de um filme do Hayao Miyazaki.

Sim, leram bem, eu vou falar mal da última longa-metragem do mestre da animação japonesa. As Asas do Vento é das animações mais aborrecidas e insípidas dos últimos tempos, e é aquela que mais me desiludiu tendo em conta quem está por detrás do filme. Miyazaki parece ter desligado um cérebro que outrora nos presenteava com histórias tão lindas quanto as imagens que as moviam para escrever uma narrativa inesperadamente desinteressante. Ainda pensei que a minha indiferença perante o raio da fita fosse devido ao realizador ter abandonado o universo fantástico que o caracteriza para se voltar para personagens humanas num mundo mais realista, sem pais que se transformam em porcos nem castelos com pernas (referências a dois dos meus títulos de eleição assinados pelo cineasta que marcaram a minha infância).

Mas não! Não me importei nadinha em ver humanos a conduzir mais uma história assinada pelo mestre japonês. Adorei a história de amor entre o personagem principal Jirô Horikoshi e a sua amada Nahoko, que teve ter sido das coisas mais amorosas, lindas e inspiradoras com que me deparei no mundo da animação. O problema é que este romance representa apenas cerca de um terço de toda a duração do filme. O que acontece nos outros dois terços? Nada! Vê-se apenas um especialista em aeronáutica a desenhar aviões, a testá-los e a confrontar-se com o avançar do tempo e da História japonesa. É claro que As Asas do Vento não é aborrecido por mostrar tal coisa. É um filme sobre a vida de Jirô Horikoshi e não havia como não representá-lo a idealizar bombardeiros e outras maquinetas voadoras. Mas Miyazaki pega-lhe de uma maneira tão chata que perdi as contas às vezes que ia adormecendo.

O único aspecto que me prendeu ao ecrã foi mesmo a animação brilhante (como sempre) e as cenas dos sonhos de Horikoshi, o único sítio onde ainda é possível encontrar alguma da poesia do cineasta. O resto não passa de um realizador a mostrar que gosta muito de aviação (e do homem por detrás da invenção dos mais mortíferos caças japoneses, já que nem por uma vez se mostra importado em ilustrar sangue a manchar-lhe as mãos) mas que não consegue, vá-se lá saber porquê, partilhar esse amor connosco e fazer-nos gostar igualmente do seu trabalho. Pelo menos a mim, e pela primeira vez num filme seu, Miyazaki não me disse nada de nada e pareço ter sido o único a não estabelecer qualquer tipo de admiração pela dita obra, a julgar pelas inúmeras críticas positivas que andam espalhadas por jornais e blogs.

E podem crer que tenho muita pena disso ter acontecido, mas não consigo deixar de recordar As Asas do Vento como um filme demasiado longo (fico surpreendido quando vejo que tem apenas duas horas, pareciam umas três ou quatro quando o vi!) onde nada de interessante acontece. É bonito para os olhos? Obviamente, nesse aspecto é um dos melhores (talvez o melhor) de toda a filmografia de Hayao Miyazaki. Mas será assim tão bonito para a mente e para o coração? Pelo menos para os meus não. Personagens ocas conduzem uma narrativa entediante e o mestre da animação japonesa despede-se assim do mundo do cinema com um adeus muito fraquinho.

4/10

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