sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A Teoria de Tudo

THE THEORY
OF EVERYTHING

de James Marsh
com: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Charlie Cox
e David Thewlis
Quem tem lido as minhas últimas críticas aqui belo blog ou pelo Espalha-Factos há de ter reparado que ando a embirrar cada vez mais com os biopics. E ando, sem dúvida. Cada vez mais os filmes desse género são menos ambiciosos e não passam de um artigo da Wikipédia em longa-metragem, com uma limpeza da imagem da personagem ou uma moldagem da mesma para que pareça mais fofinha (mais uma vez, estou a falar contigo, O Jogo da Imitação).

Por isso ia de nariz já meio torcido para ver A Teoria de Tudo. E juntando-lhe o facto de ser um filme biográfico em estilo romantic movie, género que também anda pelas ruas da amargura (obrigado Nicholas Sparks), então estava consumado um casamento perfeito para vermos mais uma bela banhada, que em nada iria fazer justiça à grande personalidade que transporta para o ecrã. Porque se ver Stephen Hawking em diálogos amorosos já soa mal no papel, então no ecrã ainda seria pior.

Mas A Teoria de Tudo foi talvez uma das maiores surpresas desta award season. Não é um filme perfeito (longe disso), mas consegue balançar muito bem entre a componente biográfica e romântica do seu enredo. Mostra, embora um bocadinho superficialmente, os estudos de Hawking de forma interessante e apresenta o seu lado pessoal e amoroso seriamente sem cair em lamechices. Ou melhor: mostra o seu lado pessoal e só depois o seu lado científico, pois a fita concentra-se muito mais na relação entre o físico e a sua primeira mulher, ou não tivesse sido adaptada a partir da obra da própria Jane Wilde Hawking.

O realizador James Marsh tem algumas ideais visuais que ajudam a distanciar-se do convencionalismo típico de hoje em dia e que fazem a película minimamente original. E consegue a partir delas fazer nascer momentos de forte carga emocional, especialmente aquelas que apresentam o propagar da doença de Hawking e a forma como o seu corpo vai-se lentamente paralisando. Como não podia deixar de ser, o elenco é um dos pontos fortes deste biopic e é graças a ele que muitas das cenas mais sentimentais funcionam. Eddie Redmayne está absolutamente perfeito na representação física do cientista e o seu empenho na mímica pode até esconder alguma falha no lado mais psicológico da sua performance, pois nem neste aspecto há muito a apontar. Ao lado dele temos uma bela Felicity Jones, com uma interpretação mais delicada e contida, mas igualmente excelente.

Mais uma boa banda sonora aqui e uma interessante fotografia acolá fazem com que A Teoria de Tudo seja um título muitíssimo bem conseguido. Pode perder-se pelo meio da narrativa (há alguns momentos parados) e exceder-se noutras cenas com alguns clichés aos quais até podia escapar, mas não isto que tira grande mérito a um filme capaz de contar uma bonita história de amor e fazer justiça à imagem de Stephen Hawking. Não me admirava que no Domingo levasse para casa alguns Oscars...

7/10

Sem comentários:

Enviar um comentário