sábado, 17 de janeiro de 2015

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

BIRDMAN
OR (THE UNEXPECTED
VIRTUE OF IGNORANCE)

de Alejandro González Iñárritu
com: Michael Keaton, Edward Norton, Zach
Galifianakis, Emma Stone, Andrea Riseborough,
Amy Ryan e Naomi Watts
Quatro anos depois do seu excelente Biutiful, Alejandro González Iñárritu está de volta às salas com uma nova obra-prima de nome Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância).

O protagonista é Riggan Thomson (Michael Keaton), actor que teve o auge da sua carreira nos anos 90 com uma série de filmes de um super-herói: Birdman. Agora, e após ter caído no esquecimento, Riggan prepara um espectáculo na Broadway como seu grande comeback, mas para isso vai ter que enfrentar muitos obstáculos.

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é um dos títulos mais espectaculares do ano e, mesmo que estejamos apenas na segunda metade de Janeiro, já o imagino no meu top de 2015. Desde a sua composição técnica até ao desempenho fabuloso do elenco, tudo com um argumento deliciosamente negro e sarcástico de alicerce à narrativa, este novo filme de Iñárritu roça a perfeição em vários pontos. Uma perfeição genuína e muito original, algo que parece faltar cada vez mais ao cinema e que felizmente foi distinguida pela Academia no meio da sua constante adoração às obras inofensivas e convencionais (estou a falar contigo, O Jogo da Imitação).

Não que a sinopse seja do mais raro que já se viu, mas a forma como toda a narrativa é construída é assinalável. Através de uma grande montagem, que conjuga os diversos planos num só fazendo com que Birdman pareça filmado num grande plano sequência, vemos as várias peripécias vividas por Riggan e pelos seus familiares, amigos e colegas da Broadway de uma perspectiva teatral, onde todos os espaços onde decorre a acção e todas as personagens estão ligadas num só palco. É isso que torna o filme único e cativante, dando-lhe um estilo absolutamente fantástico e, ele sim, raro, como poucas vezes se vê.

Iñárritu arriscou com esta sua escolha de fazer do seu trabalho um falso plano sequência? Sem dúvida. Podia ter feito com que a passagem do tempo fosse imperceptível ou confusa (as duas horas "sem cortes" contam uma história que se desenrola ao logo de um par de dias); podia ter tornado a sua visualização desagradável para os fãs de cinema mais convencional; etc. Mas a sua mestria entrou em acção, uma mestria que fez de filmes fortes e elaborados como Amor Cão ou 21 Gramas sucessos entre o público geral. Birdman não é excepção e torna-se fácil acompanhar o enredo e apreciar a beleza dos planos sequência, graças também à maravilhosa fotografia de Emmanuel Lubezki.

E a esta impressionante componente visual juntam-se personagens peculiares mas realistas. Riggan é o expoente máximo da tal peculiaridade e realismo que caracteriza cada um dos protagonistas. O ex-Birdman vive aqueles dramas que todos nós vivemos e acaba por, em momentos de maior tensão, refugiar-se no seu mundo de fantasias. É este mundo que transporta Riggan e o próprio filme para o lado mais surrealista da obra, onde a magia toma conta do ecrã e assistimos a imagens memoráveis. Ninguém sairá da sala de cinema indiferente após o clímax da fita, onde se dá uma verdadeira explosão de badassness, emoções e originalidade.

Mesmo que Birdman gire em torno da decadência psicológica de uma ex-vedeta do cinema para as massas, não deixa de ser uma obra de grande entretenimento. É claro que o filme nos faz reflectir e olhar para a nossa própria vida, ou não estivesse ele recheado de alguns episódios mais dramáticos como os confrontos entre Riggan e a sua filha Sam. Mas o argumento tem também os seus momentos de humor negro e todos os diálogos estão banhados de um sarcasmo incrível, que são utilizados ainda para afiar a crítica de Iñárritu aos blockbusters e a uma sociedade virada para as estrelas das redes sociais e não para aquelas que possuem verdadeiro talento.

Michael Keaton prova ser uma dessas talentosas estrelas com uma performance indescritível que funciona como seu grande comeback (já muitos se haviam esquecido o quão talentoso é o actor que nos anos 90 foi Batman). Keaton é sem dúvida quem brilha mais na constelação que é o elenco. Edward Norton está brilhante e protagoniza a maioria das hilariantes gags dos filmes. Emma Stone, mais dada a comédias para adolescentes, evidencia um grande talento para desempenhar papéis mais complexos. Zach Galifianakis prova, mesmo com pouco tempo na tela, que é melhor que os títulos que mancham o seu currículo. Já Naomi Watts, Andrea Riseborough e Amy Ryan aproveitam os seus pequenos papéis para mostrarem que não estão no filme só porque sim.

Iñárritu deu (literalmente) asas à sua imaginação e 2015 pode assim orgulhar-se de, em menos de um mês, já ter estreado uma obra-prima em Portugal. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é um dos títulos mais fascinantes da década e promete levar para casa uns quantos Oscars, que serão inteiramente merecidos. Que venham mais obras assim durante o resto do ano!

10/10

1 comentário:

  1. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)


    "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" tem uma história bastante boa mas com o passar do tempo torna-se algo confusa e aborrecida
    4*

    Lê mais em: http://osfilmesdefredericodaniel.blogspot.pt/2015/01/birdman-ou-inesperada-virtude-da.html

    PS: Adoro a Andrea.

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