sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Os Meus Milímetros Favoritos: O Garoto de Charlot (1921)

THE KID
de Charles Chaplin
com: Charles Chaplin, Jackie Coogan e
Edna Purviance
Se se quiser perceber o porquê de Charles Chaplin ser um dos maiores cineastas de toda a história da 7.ª arte, basta ver o seu O Garoto de Charlot, lançado no início da década de 20 mas que continua tão fresco e actual quanto seria de esperar de uma obra intemporal.

A história do vagabundo Charlot e do seu filho adoptivo John continua uma das mais hilariantes e simultaneamente comoventes de sempre, ao retratar fielmente o amor paternal, os sacrifícios que os pais fazem pelos filhos ou simplesmente as brincadeiras que os progenitores têm com os seus rebentos. Em O Garoto de Charlot vemos uma sequência de episódios muito divertidos protagonizados pelas duas personagens, desde o momento em que se conhecem (naquela que é uma das mais bem orquestradas cenas iniciais da filmografia de Chaplin) até ao happy ending um pouco ingénuo, admita-se, do realizador, mas que não deixa de assentar que nem uma luva na conclusão da narrativa.

O génio cómico de Chaplin encontra-se quase no seu auge neste filme. As coreografias do seu personagem, as cenas de luta e o humor inteligentemente simples são absolutamente fantásticos, e comprovam a inigualável originalidade do cineasta ao longo desta sua fita. Tão inigualável que ainda hoje toda a família, desde o avô ao neto, podem sentar-se confortavelmente a dar umas gargalhadas com o herói de chapéu de coco e bigode, dado que as suas gags não envelheceram nada de nada e continuam melhores que mais de metade das ditas comédias deste século.

Mas por detrás dos muitos risos que O Garoto de Charlot proporciona reside uma história humana e extremamente comovente, com a memorável e emotiva separação de Charlot e do seu filho adoptivo a servir de momento alto para a componente mais dramática do filme (para não mencionar outros segmentos menos icónicos mas igualmente brilhantes a nível sentimental). Em ambas as facetas da obra sobressai a química entre Charles Chaplin e o jovem mas não menos talentoso Jackie Coogan. E se é ao realizador, argumentista e produtor que se devem a maioria das gargalhadas, o responsável pela eficácia das peripécias mais tristes é o seu pequeno parceiro, que ilustra como ninguém o que é ser afastado dum pai ou o que é reencontrar uma mãe.

O que se pode dizer mais sobre o filme? A banda sonora é perfeita e mais que adequada a todos os curtos mas excelentes 50 minutos de O Garoto de Charlot (ou não tivesse ela sido composta pelo próprio Chaplin). A realização, a montagem e até os efeitos especiais são assinaláveis. E se quase 100 anos depois do seu lançamento continua uma das obras mais reconhecidas e amadas do cinema, assim o continuará a ser por muitas mais décadas. Merecidamente.

O Garoto de Chaplin está agora de volta aos cinemas, exclusivamente no Cinema Ideal.

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