terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os Melhores Filmes de 2014 do Milímetro a Milímetro


Com o final de 2014 chega também a altura de eleger os melhores do ano. Foi um ano interessante, com muitos filmes de elevada qualidade vindos de muitos pontos do globo; de ouro para o documentário (com a estreia de muitos trabalhos deste género absolutamente fascinantes); onde o cinema português apresentou uma mão cheia de boas fitas; e onde pudemos observar um momento histórico na 7.ª arte.

Antes de passar ao Top 10 de 2014, deixo aqui algumas menções honrosas (por ordem alfabética) a alguns excelentes filmes que não chegaram a lista final dos melhores do ano para o Milímetro a Milímetro: 12 Anos Escravo, O Acto de Matar, Ao Encontro de Mr. Banks, O Filme Lego, Filomena, Frank, A Imigrante, Interstellar, Ruína Azul e A Temporada do Rinoceronte.

Vamos então passar ao Top 10.

10. Ilo Ilo
Antes de ver Ilo Ilo estava longe de imaginar que o filme chegaria ao meu top. A verdade é que esta obra surpreendente de Anthony Chen é sem dúvida um dos grandes títulos deste ano cinematográfico. Passou meio despercebido pelas nossas salas (se não estou em erro, não chegou a sair de Lisboa) e a maioria dos críticos considerou-o um trabalho mediano. Eu achei-o fenomenal e Anthony Chen (se continuar a contar delicadamente uma história comovente, a dirigir fenomenalmente um para de grandes atores e a criar belíssimas imagens e planos como as que embelezaram Ilo Ilo) é um realizador a manter debaixo de olho nos próximos anos.


Um marco histórico do cinema, não pela sua história nem pela forma como foi realizado, mas pelo seu incrível conceito. Richard Linklater construiu o seu Boyhood – Momentos de Uma Vida ao longo de 12 anos, acompanhando o crescimento do seu elenco em tempo real e fazendo do filme uma verdadeira cápsula do tempo. Boyhood em si até é algo banal, mas não deixa de estar uns furos acima da maioria das longas-metragem que passaram por Portugal no ano que agora finda. E, só pela forma como a sua história é contada, já merece figurar em qualquer top.


Não gosto de filmes de vampiros, não estou muito familiarizado com o cinema de Jim Jarmusch e também não sou o maior fã de Tom Hiddleston. E no entanto, não pude deixar de adorar Só os Amantes Sobrevivem. É uma fita incrível e cativante, onde o seu estilo único e a sua história fora do comum, conduzida por uma dupla magistral de atores, consegue fazer de cada minuto do filme uma experiência como raramente se viveu em 2014. Só os Amantes Sobrevivem consegue tecer uma crítica perspicaz à sociedade através de dois vampiros, que não se apresentam tão assustadores e reais ao mesmo tempo há já muitos anos.


O melhor filme português do ano, de longe. Alentejo, Alentejo é um documentário fascinante sobre o quotidiano e o cante alentejano, capaz de apaixonar tudo e todos pela região e pelos seus cantares. Não foi por acaso que passou na RTP logo após o cante ter sido considerado Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO: Alentejo, Alentejo é um testemunho impressionante dos vários habitantes que lá vivem e serve, tanto para os dias de hoje como para futuras gerações, como um espelho de uma população.


6 – Locke
Passado num só carro com uma só personagem a guiar-nos por uma história soberbamente construída, Locke é um dos pequenos tesouros de 2014. Não está recheado de efeitos especiais nem de diálogos forçados feitos para terem mais estilo que conteúdo. Em vez disso, o filme tem uma das melhores narrativas do ano, cheia de pequenos twists e mistério, sem nunca cair na previsibilidade e uma das grandes interpretações do ano assinada por Tom Hardy.


Depois do estrondoso sucesso que foi Moonrise Kingdom, as expetativas para a nova obra de Wes Anderson estavam altas. E o realizador superou-as com Grand Budapest Hotel, um dos filmes mais adoráveis e bem elaborados que vi nos últimos tempos. A beleza começa nas imagens, decoradas com a simetria e a fotografia tão típicas de Anderson, e só acaba na história, protagonizada por uma dúzia de personagens inesquecíveis interpretadas por outros tantos atores magníficos. Pode não ser o melhor filme que vi este ano (como o caro leitor pode deduzir por ter ainda mais quatro películas à sua frente), mas foi aquele que mais pena me deu por ter acabado. Podia ficar a ver as aventuras de M. Gustave e Zero por mais uns minutos sem me queixar.


Único. Comovente. Impressionante. Não faltam adjetivos para descrever Her (que sabe-se lá porquê foi traduzido para um banal Uma História de Amor), um dos melhores e mais originais filmes românticos que o cinema moderno já teve o prazer de assistir. Delicado em todas cenas e poderoso quando quer trazer à tona todos os sentimentos dos espectadores, Her não deixa ninguém indiferente e consegue agradar tanto aos fãs do amor como da ficção científica, já que apresenta também um futura tecnológico mais positivo que as muitas perspetivas negativas doutras obras.


Entramos então no pódio, curiosamente constituído pelos únicos três filmes aos quais dei 10 estrelas. Em Parte Incerta foi um deles, e não podia tê-lo avaliado de outra maneira. Quando andei a partilhar pelas redes sociais a minha crítica usei sempre a expressão “Fincher did it again”, pois o realizador repetiu a fórmula mágica das suas grandes obras e criou um excelente thriller, cheio de tensão e com uma grande crítica à nossa sociedade. A cereja no topo do bolo dá pelo nome de Rosamund Pike, a atriz que em Em Parte Incerta se adiante na corrida pelos prémios de melhor interpretação com uma performance de arrepiar.


2 – Nebraska
Nebraska é talvez o mais humilde e simples de todos os filmes deste top. E é por isso que sai vencedor. Filmado a preto e branco, é a melhor comédia negra do ano e das poucas que consegue oferecer uma história comovente por entre as muitas gargalhadas que provoca. É um retrato humano da velhice e de como funciona uma família, transformando-se assim num dos trabalhos de 2014 com o qual mais nos podemos identificar.


1 – Mamã
As 10 estrelas que dei a Mamã põem as 10 que dei a Em Parte Incerta e Nebraska a um canto. Estive prestes a terminar o ano sem ver esta grandiosa obra de uma das mais talentosas novas vozes do cinema, Xavier Dolan, e sinceramente nem sei o que seria este top sem ela. É um daqueles filmes que nos leva às lágrimas, tal a força das imagens que apresenta, mas que também é capaz de nos enternecer num ou noutro momento com a relação de mãe e filho a que assistimos no ecrã. É realizado de forma soberba, com um argumento magnífico e um trio de performances incríveis. Ah, e também é em Mamã que podem encontrar a cena do ano.


Não se esqueçam de passar pelo Espalha-Factos para verem o Top 10 geral e o de cada um dos redactores da secção de Cinema

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