quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Comic Con Portugal, pelos olhos do André Cavalheiro


Comecemos pelo início: A dezembro de 2013 descobri que dali a um ano ia haver a primeira Comic Con em Portugal. Como grande geek que sou tenho de admitir que fui preenchido pelo entusiasmo e pela excitação. Ao longo da minha vida sempre fui muito marcado pelas personagens que via na TV (ou no computador) e saber que ia ocorrer um evento no meu país com o objectivo de partilhar o gosto por estes heróis pôs-me o coração a bater mais rápido.

Embora não o demonstrasse, eu tinha receios. Será que eles vão mesmo trazer actores americanos? Será que vão mencionar sequer as séries que realmente importam, ou vão trazer uns reles actores que ninguém conhece de uma série que ninguém vê? Será que vão ter actividades que de facto estão relacionadas com as nossas personagens favoritas? Obviamente tudo mudou quando anunciaram a vinda da Natalie Dormer (Margaery Tyrell na série de Game of Thrones). Ganhei alguma fé na organização do evento, e ainda a medo comprei os bilhetes para o 2º e 3º dia do evento (sábado e domingo). Com o passar das semanas, e com o anúncio de mais e mais figuras conhecidas tanto no mundo da TV como no das BDs, fiquei seguro que seria um evento minimamente decente embora o site do mesmo mostrasse o contrário. Na minha opinião estava muitíssimo mal feito. À parte dos nomes americanos, e de alguns artistas de BD, não havia quase informação nenhuma sobre o que se ia realizar nos dias 5,6 e 7 de dezembro na Exponor. Quem se limitasse à informação deste, ficaria com a ideia de que não havia nada para fazer além de ouvir os Q&A e ficar na fila dos autógrafos.

Quando finalmente cheguei à Exponor no sábado, 2 horas depois do inicio do evento, já sabia que a fila ia ser enorme, mas nem imaginava o quanto. A multidão de pessoas que tentava entrar na convenção parecia nunca mais acabar, preenchendo a rua toda. Após mais de uma hora de espera finalmente consegui dar entrada naquilo que seria um dos melhores fins de semana que já passei. Assim que encontro o meu amigo que já se encontra lá dentro ele começa-me a contar o quão fantástico é o espaço onde estamos. A primeira entidade a quem tenho de dar os parabéns nem é a organização mas sim os cosplayers. Ao contrário do que antevi, houve um grande número de pessoas que escolheram marcar a sua presença na convenção fantasiadas. Algumas com disfarces mais simples, outros mais complexos, mas todos eles espectaculares. Alguns posso afirmar que dedicaram meses de trabalho nos seus fatos! Logo à entrada tirei algumas fotos, e comecei a notar que toda a comunidade era extremamente simpática e comunicativa. Sentia-me integrado, como se estivesse em família. Estávamos todos ali para partilhar o nosso amor pelo universo da cultura geek.


Foi com grande alívio e felicidade que vi que a zona de vendas tinha todos os produtos que um geek podia desejar. Desde os artigos lendários usados por personagens em animes e séries, até a colecções inteiras de mangás e BD. Explorar esta zona ao pormenor levaria umas boas horas por isso parto para a secção de gamming que está dividida em três grandes partes: Microsoft, Nintendo e PC. Sou levado pelo meu amigo a experimentar a nova XBox One. Após uns bons minutos de fugir à policia no novo GTA 5 em primeira pessoa decido dar uma vista de olhos nos artigos trazidos pelas lojas que se encontram nesta zona. Encontro de tudo: desde consolas com mais de 20 anos até a ratos modernos de cento e tal euros.

Quanto mais navego no mundo que é a Comic Con mais os meus níveis de felicidade aumentam. Com o passar das horas a minha carteira diminui e a minha euforia aumenta com a hipótese de ver a Natalie Dormer. Rapidamente perco as esperanças de assistir ao Q&A ao ver a fila para o auditório A. Em vez disso dou uma corrida à zona dos artistas de banda desenhada. O meu queixo deixa-se cair novamente ao encontrar os mais fantásticos trabalhos. Ainda fiquei aqui algum tempo admirando os trabalhos impressionantes que por ali se faziam.

De volta ao outro lado da convenção vejo uma grande multidão à espera do autografo de Natalie Dormer. Ainda consigo ver a atriz e ouvir umas palavras, mas assim que percebo que não consigo chegar mais perto, parto para a zona de vendas mais uma vez. O ambiente começa a tornar-se claustrofóbico. Mal me consigo mexer vá para onde for. Decido experimentar alguns dos jogos de tabuleiros visto que é umas das zonas mais vazias. Perco umas belas horas a experimentar alguns dos jogos mais interessantes que vi na minha vida. Quando finalmente decido que estou farto dou mais uma volta pela convenção e decido ir para o hotel com o telemóvel repleto de fotografias. A felicidade invade o meu ser, embora tenha que admitir que o excesso de pessoas me tenha frustrado um pouco.


No dia seguinte, por outro lado, as coisas ocorrem de maneira muito diferente. Desta vez chego à convenção uns minutos antes de esta começar. A fila ainda existe mas é muito mais pequena. Quando entro, encontro novamente uma grande aderência ao cosplay, e volto a encher o telemóvel com novas fotografias. Corro de encontro ao simulador de condução para ser dos primeiros a experimentar visto que no dia anterior esgotou rapidamente. Sou o primeiro a inscrever-me. Passo quase 40 minutos na pista de corridas. À minha frente tenho três ecrãs HD, um volante de 300€ e um conjunto de pedais. Nunca me senti tão envolvido numa corrida, embora tenha de admitir que havia muitos bugs no jogo. Quando acabo em último lugar concluo que vou ser um condutor horrível.

Continuo a rondar a zona de compras encontrado vários artigos que no dia anterior tinham esgotado rapidamente. Acabo hipnotizado por uma imitação de uma das espadas usadas no anime Bleach. A qualidade não é nada de especial, e o preço é elevado, mas é a lendária Tensa Zangetsu… não resisto e compro. Durante o resto do dia perguntam-me mais de trinta vezes onde a comprei, ao qual tenho de responder que já esgotaram. Sinto-me invadido pela felicidade. Pouco tempo antes do meio dia parto para o auditório A com esperança de ver o cast de Da Vinci’s Deamons. Qual não é a minha felicidade quando consigo lugar numa das filas do meio. O auditório está cheio, embora não a rebentar. Um trailer para a 3ª temporada é mostrado, a multidão grita. Os três actores respondem a diversas questões do público e trazem boa disposição e muito divertimento à multidão.


Mal o Q&A acaba não tenho tempo a perder. Saio para almoçar e volto imediatamente ao auditório A para ouvir Clive Standen de Vikings. Um verdadeiro homem do povo… vem dar abraços aos fãs que os pedem, fala com uma naturalidade e divertimento que deixa todos à vontade. Quando ele sai não posso evitar sorrir pois sei que o homem que verdadeiramente quero ver está prestes a entrar. Salto para um lugar que vazou na terceira fila. Mal consigo conter a excitação. Paul Blacktorne de Arrow entra no auditório e eu grito como um maluquinho. Mal posso acreditar que ele está ali, a 5 metros de mim. Mal começa a Q&A tanto eu como o colega ao meu lado elevamos os nossos braços bem alto pedindo um microfone para podermos fazer a nossa pergunta. Eventualmente um acaba por chegar à nossa posse. Quando chega à nossa vez começo a tremer de nervos mas não consigo tirar um sorriso da cara. O microfone passa pelos dois, estamos uns segundos a trocar frases com o actor. Após perguntar aquilo que tinha a perguntar num inglês meio trapalhão fico a vê-lo a responder à pergunta que lhe tinha posto. Voltei a sentar-me sabendo que já tinha ganho o dia…

Quando o Q&A acaba, vou mirar a zona de gamming e decido experimentar o novo Super Smash Bros. Dou mais umas voltas pela zona de compras, e quando me dá a fome decido ir pela primeira vez nos dois dias à zona de alimentação. Acabo por experimentar Ramen, uma comida japonesa muito vista no anime/manga Naruto:Shippuden.

No fim do dia toda a gente tenta negar a realidade: A Comic Con chegou ao fim. A multidão reúne-se à saída. Vamos falando, conhecendo pessoas, tirando as últimas fotos, mas eventualmente temos mesmo de sair. Não consigo evitar sorrir. Sinto-me a pessoa mais sortuda do mundo. A minha carteira está praticamente vazia, sobrando apenas dinheiro para o táxi, mas sei que valeu a pena.


Como podem concluir pelas minhas palavras adorei a Comic Con Portugal, mas como tudo ainda há espaço para melhorar: Havia zonas que ocupavam demasiado espaço para as pessoas que tinham (como a zona infantil ou a de jogos de tabuleiro) causando um grande sentimento de claustrofobia nas outras zonas (como a zona comercial); havia (se não me engano) apenas duas exposições, sendo que uma (a da Marvel) demorava literalmente 30 segundos para ver; as filas obviamente que eram um problema mas ao contrário de muita gente não acho que seja culpa da organização. As filas neste tipo de eventos são inevitáveis, toda a gente quer ver os seus actores favoritos. O auditório A era enorme, não sei o que a organização podia ter feito para evitar os engarrafamentos.

Assim sendo, chego à conclusão que a Comic Con Portugal foi um sucesso e posso garantir que estarei lá para o ano na próxima edição. Foi um dos fim de semanas mais felizes da minha vida, senti-me completamente integrado, foram todos muito simpáticos e quero agradecer não só aos meus amigos, mas também a todas as pessoas que foram e à organização por fazer tal evento possível.

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