quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O Senhor Babadook

THE BABADOOK
de Jennifer Kent
com: Essie Davis e Noah Wiseman
Depois de ter passado pelo Cinema São Jorge durante o MOTELx 2014, chegou a altura de O Senhor Babadook se estrear no circuito comercial nacional.

Amelia (Essie Davis) é uma mãe solteira que vive no limite graças ao seu filho Samuel (Noah Wiseman), um rapaz de 7 anos que passa os dias a arranjar problemas a toda a gente. Quando Amelia descobre The Babadook, o livro favorito de Samuel sobre um monstro aterrador que come crianças, decide deitá-lo fora para não assustar o seu filho. Mas o que ela não sabe é que Babadook já saiu das folhas do livro e está pronto a atormentar a família...

O grande problema de O Senhor Babadook é a falta de sustos, especialmente tendo em conta que é um filme que se quer inserir no género de terror. A realizadora Jennifer Kent até criou um ambiente realmente sombrio e melhor que tudo nunca abusou no gore (não há aliás muito sangue durante toda a fita). O vilão do filme também nem aparece muitas vezes, sendo a sua presença fantasmagórica, quase como o Tubarão de Spielberg ou o Michael Myers de John Carpenter. Assim à primeira vista parecem estar criadas todas as condições para ser um filme de terror com muita qualidade. Então o que falhou?

Falharam os clímaxes, os sustos e principalmente as cenas onde Babadook aparece. A banda sonora não adiciona muito à acção e não faz crescer um nervoso miudinho em momentos com muito potencial e o vilão é tudo menos assustador, fazendo lembrar um simples fantoche. Só mesmo alguns clichés do género, como portas a ranger e falhas de luz numa casa deserta, é que conseguem assustar minimamente, e nesse sentido O Senhor Babadook perde muito valor, visto que nunca conseguiu inovar na construção de um ambiente próprio e minimamente original, sendo forçado a entrar em lugares comuns do terror.

O que lhe vale são as excelentes interpretações de Essie Davis e Noah Wiseman, que dão uma nova dinâmica à intriga. Os dois actores apresentam uma excelente química que os fazem mesmo parecer serem mãe e filho. Claro que o destaque vai principalmente para Wiseman, que com apenas 7 anos já apresenta um grande talento e alguns momentos da sua performance foram sem dúvida alguma muito desconcertantes. A sua personagem é até mais assustadora, ou pelo menos mais sinistra, que o próprio Babadook, e muito se deve à excelente performance que oferece.

O filme talvez funcionasse melhor como um drama, pois são as vivências e as lutas com fantasmas do passado das personagens que realmente interessam numa obra onde o medo raramente está presente. Desta perspectiva, O Senhor Babadook volta a dar uma certa credibilidade ao género do terror, já que o que tem vindo a faltar a este tipo de fitas é uma história realmente cativante sem deixar de ser perturbadora.

E se quem for ver esta obra como um drama, pode mesmo vir a ser surpreendido, dado que a sua história está bem construída e os protagonistas passam por situações dignas desse género. Mas como filme de terror, O Senhor Babadook não consegue fugir aos clichés típicos de outros trabalhos ditos assustadores e não aproveita alguns dos seus bons valores de produção.

7/10

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