sábado, 11 de outubro de 2014

O Caminho Entre o Bem e o Mal

A WALK AMONG
THE TOMBSTONES

de Scott Frank
com: Liam Neeson, Brian Bradley, Dan Stevens,
David Harbour e Adam David Thompson
O novo filme de Liam Neeson tem um registo um pouco diferente dos seus anteriores projectos, mas mesmo assim é um título algo desinteressante e com muito pouco para oferecer. O Caminho Entre o Bem e o Mal estreou esta semana nas nossas salas.

Matt Scuder é um ex-polícia arrependido de muitos erros do passado que ganha a vida como detetive privado. Quando é inquirido por um traficante de droga para encontrar o assassino da sua mulher, Matt infiltra-se na parte mais negra da cidade e descobre que o homem de quem anda à procura é responsáveis não só pela morte da mulher mas também por vários crimes em série…

Scott Frank, mais conhecido no mundo do cinema pelos seus trabalhos como argumentista, assina a realização de um filme que o próprio escreveu. É a segunda vez que Frank se põe atrás das câmaras depois de Vigilante, que em 2007 arrecadou até alguns prémios, e os seus talentos de realizador são nítidos. Embora nunca saia muito do convencional, há algo na sua forma de filmar bastante interessante, especialmente a maneira como enquadra os seus protagonistas nos cenários nova-iorquinos da década de 90.

Mas o bom aspecto visual de O Caminho Entre o Bem e o Mal resultante da boa realização de Frank e ainda da excelente fotografia de Mihai Malaimare Jr não escondem a mediocridade do argumento e da história em si. O enredo é uma tentativa (falhadas) de copiar o estilo dos filmes de Martin Scorsese com os diálogos de Quentin Tarantino e tem ainda algum do pretensiosismo de Spike Lee. Mesmo todo aquele ambiente sombrio a que se submeteram muitos outros thrillers para darem um ar noir à coisa é presença assídua no filme, tirando-lhe qualquer originalidade ou tom próprio.

Por vezes a narrativa torna-se um pouco confusa devido aos vários caminhos que toma a investigação de Matt. Surgem muitas personagens, muitos flashbacks e às vezes demasiada concentração na relação entre um conjunto de protagonistas pelos quais nem sentimos muita compaixão, sendo que a dado momento a história fica aborrecida. E depois temos ainda os já típicos clichés deste tipo de películas. A cena final do filme é igualmente uma desilusão, não só por ser algo anti-climática mas porque é rodada como se fosse uma série televisiva de acção (e não das boas...), com zoom ins rápidos e uma montagem mal elaborada.

O que vai valendo são os pequenos rasgões de inteligência e de qualidade durante as quase duas horas de duração de O Caminho Entre o Bem e o Mal. As personagens não são tão básicas quanto seria de esperar, nomeadamente os psicopáticos Ray e Albert (que oferecem algumas das cenas mais fortes do filme, das quais se destaca a sequência dos créditos iniciais), e um ou outro episódio do filme consegue não ser (muito) previsível.

E há ainda um Liam Neeson a alto nível, com uma performance bastante bem conseguida. Pode-se até considerar surpreendente como conseguiu potencializar o seu Matt, visto que ele não se diferencia muito dos outros anti-heróis que o actor tem vindo a interpretar nestes últimos anos, e fazer dele uma personagem minimamente interessante. David Harbour e Adam David Thompson são os outros elementos do elenco que mais se destacam com as suas interpretações eficazes de dois psicopatas e o jovem Brian Bradley, finalista do X Factor mais conhecido por Astro, deu provas de algum talento para o cinema.

Estes pequenos pormenores compensam a mediocridade de O Caminho Entre o Bem e o Mal e tornam a sua história um pouco mais interessante. Mas a ideia final com que se fica deste filme é a de uma grande falta de originalidade que não conseguirá convencer muitas pessoas.

5/10

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