sexta-feira, 12 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - uma desilusão, uma surpresa e uma revisita à sátira de Brian Yuzna


Ao 2.º dia do MOTELx 2014 já houve muitos mais sustos do que no dia anterior. Desde uma excelente obra de terror tailandesa (que deu direito a um banquete oferecido pela embaixada da Tailândia antes da visualização) até ao clássico de culto de Brian Yuzna, sem esquecer uma das desilusões do festival, o público saiu finalmente a tremer do Cinema São Jorge.

THE BABADOOK
Realizado por Jennifer Kent
Com: Essie Davis e Noah Wiseman

Este era um dos filmes que mais expectativas tinha gerado à sua volta. Mas nos primeiros minutos começa-se a perceber que The Babadook não vai causar tantos sustos como prometia.

Em vez disso, a realizadora Jennifer Kent cria uma ambiente sinistro e escuro, que nos deixa bastante nervosos. Aliás, esse é o ponto forte de The Babadook: o seu incrível suspense. Porque de resto nada é totalmente original ou sequer bem orquestrado. A história é demasiado cliché para ser interessante, acompanhando uma família constituída por mãe e filho com vários problemas, e se consegue criar qualquer relação com as personagens. Os sustos pura e simplesmente não existem. Kent tenta por diversas vezes por o público a saltar da cadeira, mas todas as suas tentativas saem falhadas. O próprio Babadook, o mostro que atormenta a família, não é nada assustador.

Por isso, como filme de terror, The Babadook não consegue alcançar as expectativas que tínhamos dele. Mas graças a um suspense magnificamente construído por Jennifer Kent, suportado por um elenco muito bom (o jovem Noah Wiseman com apenas 7 anos já apresenta muitas qualidades) e um argumento com algum humor negro, a sua visualização acaba por ser agradável.

7/10


LAST SUMMER 
Realizado por Kittithat Tangsirikit, Sittisiri Mongkolsiri e Saranyoo Jiralak
Com: Sutatta Udomsilp, Pimpakan Praekunnatham, Jirayu Laongmanee e Ekawat Ekudchariya

Um filme de terror completíssimo, como já não se via há muito tempo. Hollywood podia começar a olhar para o tailandês Last Summer e perceber como assustar e criar uma história envolvente em torno das suas personagens.

À primeira vista até somos levados a pensar que a história de Last Summer é igual a tantas outras. Quatro amigos vão para uma casa de praia e uma das raparigas, Joy, morre, levando-os a ser assombrados pelo seu fantasma. Hum... Isto não parece lá muito original. Mas a verdade é que as três pequenas histórias do filme, todas elas interligadas pela tragédia da morte de Joy, realizadas por Kittithat Tangsirikit, Sittisiri Mongkolsiri e Saranyoo Jiralak são absolutamente fantásticas, não só porque são incrivelmente assustadoras mas também porque conseguem criar momentos comoventes e críticos à sociedade actual.

Todo o público ficou certamente com um nervoso miudinho, porque o ambiente macabro e o fantasma aterrador de Joy proporcionaram instantes muito assustadores, que fazem até lembrar alguns dos melhores filmes de terror japoneses. Mas os presentes na Sala Manoel de Oliveira foram também prendados com uma crítica à comunidade jovem do século XXI, que publica e comenta de tudo nas redes sociais, e ao perfeccionismo dos pais dos estudantes que os levam a ter acções erradas. Ficamos também muito próximos das personagens, sendo algumas cenas surpreendentemente comoventes e tocantes. Last Summer é sem dúvida um dos melhores filmes do festival. Incrível.

9/10


SOCIETY
Realizado por Brian Yuzna
Com: Billy Warlock, Devin DeVasquez, Evan Richards, Patrice Jennings, Connie Danese e Charles Lucia

"Nada é o que parece numa sociedade perfeita" e "Os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres" são as ideias que Society, o filme de culto de 1989, passa eficazmente através de imagens que não deixam ninguém indiferentes.

Bill é um rapaz normal que se vê desprezado pelos pais, que preferem mimar a sua irmã, Jenny. Até ali Bill nunca havia percebido porquê tanto desprezo nas quando o seu amigo Blanchard lhe entrega uma gravação de uma conversa entre Jenny e os seus pais, percebe que algo de muito estranho se passa no seio da sua família. A obra de Brian Yuzna continua tão chocante como quando estreou em 1989. Desde o seu surrealismo desconcertante até ao clímax sangrento e nojento final, o realizador faz uma sátira à sociedade de forma visceral. Embora algumas partes sejam mais aborrecidas (para um filme de hora e meia até demora muito a passar), o bom elenco e argumento vão conduzindo Society até uma cena final absolutamente inesquecível, que fica connosco muito tempo depois de ter acabado o filme. E, 25 anos depois, a crítica de Society permanece actual...

8/10

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