sábado, 13 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - thriller em vez de terror


O terceiro dia do MOTELx 2014 não teve terror mas sim thriller, muito thriller.

THE GUEST
Realizado por Adam Wingard
Com: Dan Stevens, Maika Monroe e Brendan Meyer

Depois dos dois primeiros capítulos de V/H/S e do filme que fechou a 7.ª edição do MOTELx, You're Next, Adam Wingard voltou-se para um género thriller com The Guest.

E que thriller! Acompanhando a história de David, um ex-soldado da guerra do Afeganistão que regressa aos EUA para visitar a família do seu amigo Caleb, morto em combate, o filme está cheio de suspense e acção. Wingard elaborou um enredo absorvente, que em vez de cair nos clichés parece gozar com eles, e as interpretações do seu elenco também ajudaram, desde os jovens Maika Monroe e Brendan Meyer até ao carismático, badass e aterrador Dan Stevens. O argumento está recheado de humor negro e, quando não estamos nervosos ou com os corações aos saltos, estamos a dar umas boas gargalhadas. Há ainda uma grande sincronização da banda sonora com as cenas de acção. As músicas electrónicas ficam estranhamente bem por cima dos momentos mais sangrentos e dão-lhe uma nova pujança. Não é difícil perceber que The Guest é um dos melhores thrillers dos últimos anos.

8/10


OPEN WINDOWS
Realizado por Nacho Vigalondo
Com: Elijah Wood, Sasha Grey e Neil Maskell

O realizador Nacho Vigalondo apresentou o seu filme ao público antes da sessão começar. Disse que quem perder um minuto que seja de Open Windows terá perdido uma parte essencial do enredo. E Vigalondo não podia estar mais certo: a cada segundo há um novo plot twist que altera completamente a nossa perspectiva sobre os acontecimentos. Mas o desejo de ir criando surpresa atrás de surpresa faz com que essas mesmas surpresas começem a ficar cada vez mais estúpidas a cada momento que passa, e em vez de tornar Open Windows um grande thriller faz dele uma grandessíssima anedota.

Há também a irritante tentativa de se juntar Janela Indiscreta e A Arca Russa num só filme. Mas Open Windows também não consegue dar seguimento a isto, por duas razões. A homenagem ao clássico de Hitchcock no início até parece resultar minimamente, com a personagem Nick Chambers a observar pelo seu computador o que se passa no quarto da actriz Jill Goddard, mas depois afasta-se demasiado da ideia, deixando de ser apenas um filme de um rapaz a observar do seu quarto o que se passa noutro e tornando-se num filme de perseguições a alta velocidade. Quanto à adaptação do enorme filme russo, que é filmado durante 90 minutos em apenas um plano sem cortes, há que dizer que é risível a forma como Vigalondo o faz. A interminável hora e meia de Open Windows é vista através de um ecrã de computador, onde várias janelas e webcams estão abertas ao mesmo tempo e que a dada altura dá uma sensação de claustrofobia frustrante ao filme. E é óbvio que ninguém acredita que o que estamos a ver é em tempo real... O que vale são as boas interpretações de Elijah Wood e Sasha Grey e a ideia que, a princípio, até era interessante.

3/10


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