quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MOTELx 2014 - os primeiros sustos


Arrancou ontem a 8.ª edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. O ambiente típico do festival já se faz sentir no Cinema São Jorge, com muitos zombies a vaguear pela entrada do recinto, as decorações mais que apropriadas espalhadas por cada canto e até uma banca de gelados chamados "Bloody I Scream". E houve, claro, lugar para muitos filmes...

DOC OF THE DEAD
Realizado por Alexandre O. Philippe

Não houve melhor forma de abrir o festival. Doc of The Dead foi o segundo filme a passar hoje e foi sem dúvida o melhor do dia de abertura do MOTELx.

Não é apenas um documentário. É também uma divertida paródia aos filmes de zombies, com alguns sketches e canções originais absolutamente hilariantes. O realizador Alexandre O. Philippe entrevistou variadíssimas figuras míticas do terror, desde o icónico George A. Romero até ao divertido Simon Pegg. As várias personalidades falam não só da evolução dos mortos vivos dentro do grande ecrã, analisando muitos filmes de diferentes estilos (incluindo uma paródia pornográfica de The Walking Dead), mas também da forma como o público se familiarizou com as criaturas. Vão também discutindo como poderia reagir o mundo a um apocalipse zombie e se é melhor um walker lento ou rápido, enquanto Philippe vai ainda fazendo pequenas cenas muito engraçadas que expõem os clichés dos terrores.

Mas no meio de tanta diversão, Doc of the Dead alcança também o principal objectivo: documentar e explorar até às raízes o mundo dos mortos vivos. São muitas as curiosidades alheias ao público em geral que o filme partilha connosco e aguça-nos ainda a curiosidade de ir ver ou rever alguns dos maiores clássicos do terror. Um documentário muito completo, portanto, que se vê desde o início ao fim com um sorriso nos lábios e que aumenta também a nossa cultura zombie.

9/10


DER SAMURAI
Realizado por Till Kleinert
Com: Michel Diercks e Pit Bukowski

Chocante, ousado e provocador. Assim se pode descrever uma das longas-metragens mais estranhas que já pessoa pelo festival. Der Samurai acompanha Jakob, um jovem polícia de uma pequena terra alemã, que tenta descobrir o lobo que anda a atormentar a sua vila. Mas o que descobre nos bosques é um travesti que ergue na mão nada mais nada menos que uma espada samurai.

Só pela sinopse dá para perceber que isto não é um filme normal. Mas a verdade é que este ponto de partida acaba por ser o mais normal de todo Der Samurai, o primeiro trabalho de Till Kleinert. Tudo o que se passa a partir daqui é um festival de peculiaridades e coisas macabras, com muitas cabeças cortadas, uma relação homossexual desconcertante e carradas de surrealismo. Mas no meio disto tudo não dá para saltarmos da cadeira, para apanharmos um valente susto ou para, pelo menos, termos um nervoso miudinho dentro de nós. Kleinert falha em criar cenas de suspense, devido a movimentos de câmara previsíveis, o que retira depois qualquer eficácia nas cenas ditas assustadoras. Aliás, para filme de terror, Der Samurai é extremamente parado e aborrecido.

Mas não totalmente desinteressante! A fotografia das cenas filmadas à luz do sol é bastante atractiva, realçando as paisagens florestais que rodeiam a vila de Jakob e Pit Bukowski, que dá vida ao travesti samurai, tem uma performance perturbadora que faz até lembrar Ted Levine (o assustador Buffalo Bill de Silêncio dos Inocentes). E depois há uma cena que justifica sozinha a visualização do filme: a dança que Jakob tem com Der Samurai, à luz da fogueira, com corpos decapitados sentados a "observar" e uma música incrível de fundo. É um momento absolutamente mágico, com algum simbolismo, que compensa a maluquice entediante que Kleinert nos oferece nos restantes minutos de Der Samurai.

5/10


LIFE AFTER BETH
Realizado por Jeff Baena
Com: Aubrey Plaza, Dane DeHaan, John C. Reilly e Molly Shannon

Tinha tudo para resultar, mas falhou totalmente. Life After Beth é uma comédia negra sobre Beth, uma rapariga que ressuscita milagrosamente para grande alegria dos pais e do namorado, mas que há medida que o tempo vai passando se revela uma pessoa diferente e mortífera.

O grande erro do filme começa no seu elenco. Embora esteja cheio de bons nomes, parece que nenhum dos actores foi bem escolhido e o argumento, que até nem é mau, vai pelo cano abaixo muito devido àqueles que o transportam para o ecrã. Dane DeHaan e John C. Reilly são o exemplo disso mesmo: dois bons actores cujas personagens não lhes ficam nada bem, e cada fala e cada gesto não são nada convincentes, tornando a relação amorosa e paternal que mantêm com Beth, desempenhada por uma convincente Audrey Plaza, desprovida de qualquer química. A história de Life After Beth fica logo sem qualquer interesse, especialmente porque toda a parte cómica cai por terra.

Mas não são só os erros de casting que justificam a mediocridade do filme. O realizador Jeff Baena quis dar características indie à sua obra, estando então cada plano sujeito à câmara tremida e a uma banda sonora mais fora do comum por detrás de cada cena. E deu algum resultado? Não. Aliás, se isto fez alguma coisa a Life After Beth foi banalizá-lo e tirar-lhe qualquer tom de originalidade. Baena vai ainda ficando sem imaginação e chegando a meio do filme começa a inventar peripécias com demasiadas personagens secundárias que em nada ajudam o enredo a tornar-se interessante. E se ainda havia esperanças que o cineasta conseguisse ao menos fechar como deve ser a sua primeira longa-metragem, elas são mortas com um desfecho apressado e feito para despachar o mais rapidamente possível a história.

Enfim, a sessão de abertura este ano do MOTELx não foi digna de abrir um festival como este. Infelizmente...

4/10


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