terça-feira, 12 de agosto de 2014

Guardiões da Galáxia

GUARDIANS OF
THE GALAXY

de James Gunn
com: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista
e as vozes de Bradley Cooper e Vin Diesel
Numa altura em que os blockbusters começam a ser cada vez mais irritantes, chega-nos Guardiões da Galáxia, uma verdadeira lufada de ar fresco não só para os filmes de Verão mas também para os estúdios da Marvel.

Depois de roubar uma esfera misteriosa, o aventureiro Peter Quill (Chris Pratt) é perseguido pelo poderoso vilão Ronan (Lee Pace), que pretende dominar todo o universo. Para conseguir impedir que este lha roube e para manter o equilíbrio da galáxia, Quill tem que se juntar a um grupo de personagens peculiares: Gamora (Zoe Saldana), Rocket (Bradley Cooper), Drax (Dave Bautista) e Groot (Vin Diesel).

Nunca se viu um filme da Marvel como este. Sim, temos muita acção. Sim, temos muitos easter eggs. Sim, anuncia-se uma sequela nos minutos finais. Contudo, há uma clara inovação e mudança de tom em relação aos projectos anteriores dos estúdios que nos têm trazido mais do mesmo ao longo dos anos. Primeiro, não nos sentimos a ver um filme de super-heróis, mas sim um clássico de ficção científica com ar de anos setenta e oitenta. Isso vê-se nos créditos iniciais, quando Peter Quill dança ao som de uma cassete antiga que a mãe lhe havia dado e de repente aparecem em letras gigantes as palavras GUARDIANS OF THE GALAXY a num de roxo brilhante, como se fosse neon.

O que há de novo em Guardiões da Galáxia? À primeira vista até parece ser mais uma aventura banal cheia de super-heróis, com carradas de CGI, personagens ocas e, como tem sido regra geral nos últimos filmes de grande orçamento, previsibilidade. Mesmo o trailer dá a ideia que este novo projecto da Marvel é só palhaçada, com demasiado humor e mais umas quantas parvoíces. E o facto de Guardiões da Galáxia ser uma das bandas-desenhadas menos conhecidas junto do público fazia com que estivessem reunidas as condições para o filme ser um falhanço.

Mas afinal está aqui um grande e surpreendente sucesso. É claro que alguns dos aspectos acima referidos podem ser encontrados em Guardiões da Galáxia, como o demasiado CGI e a previsibilidade (qual o filme de super-heróis em que os protagonistas não ganham?). No entanto, o realizador James Gunn consegui utilizar estes factores a seu favor. Os efeitos especiais do filme são excelentes, mas em vez de se limitar a utilizá-los apenas para grandes explosões em formato déjà vu e cenários notoriamente artificiais, Gunn criou imagens incríveis, coloridas e luminosas, que dão uma outra beleza ao filme, diferenciando-o de outras fitas de acção. E conseguiu utilizar o 3D como deve ser, o que raramente acontece.

As cinco personagens principais são talvez das melhores e mais divertidas dos últimos blockbusters. Drax, interpretado por um excelente David Bautista, faz lembrar um Coisa (do Quarteto Fantástico), mas mais caricato, e é a ele que estão entregues algumas das cenas mais engraçadas do filme. Já as duas criaturas não humanas, Rocket e Groot, são sem dúvida as que mais diversão e acção trazem. A árvore gigante, aliás, diz apenas três palavras ("I Am Groot"), mas é claramente a favorita do público (até me fez lembrar o Iron Giant, também dobrado por Vin Diesel). Peter Quill, desempenhado pelo carismático Chris Pratt, e Gamora, a personagem mais fraca mas que ganha por ter Zoe Saldana a dar-lhe vida (a ficção científica é mesmo a sua praia), seriam os protagonistas de uma história de amor chata, mas os criadores tomaram a inteligente decisão de não explorarem em demasia um romance que nos foi mostrado em dose adequada.

Posso também comprovar que o filme faz lembrar Guerra das Estrelas. Quando vi críticos a compararem Guardiões da Galáxia ao clássico de George Lucas pensei que os especialistas de cinema na América estavam a ficar cada vez mais facilmente impressionados (isto depois de terem dados notas tão boas a Godzilla ou a Planeta dos Macacos: A Revolta). Mas de facto há muitas semelhanças entre ambas as obras e até mesmo umas quantas referências de James Gunn ao épico dos anos 70. Desde as naves espaciais, os cenários das cidades e as armas até às semelhanças entre Peter Quill e Hans Solo e inclusive alguns momentos no argumento, muitas são as coisas que nos remetem para Guerra das Estrelas.

Há também um divertido tom cómico em Guardiões da Galáxia. Se há algo em comum entre os últimos filmes da Marvel é a fraca parte humorística, mas desta vez os risos estão mais que garantidos. A banda sonora é igualmente fantástica, tanto a parte dos êxitos dos anos 70 e 80 (que assentam que nem uma luva às suas cenas) e a música composta por Tyler Bates. Há ainda que dar mérito a James Gunn que não quis dar um ar obscuro à la Nolan à sua obra, que já começa a irritar.

O único problema de Guardiões da Galáxia são mesmo os seus vilões. No total há três, sendo que um (Thanos), mal aparece. Os outros dois são Ronan e Yondu. Ronan tem uma aparência nada assustadora, e o seu traje é muito pobre e nada apelativo. Já Yondu não passa muito de um Michael Rooker pintado de azul a interpretar o seu Merle de The Walking Dead. As cenas em que estes vilões aparecem são de longe as mais entediantes e pior construídas. É também algo chato ver grandes caras do cinema como John C. Reilly (Rhomann Dey), Glenn Close (Nova Prime) e Benicio del Toro (O Coleccionador) a ter papéis tão insignificantes e que mal aproveitam o grande talento destes actores.

Mesmo assim, não há como negá-lo: este é o mais incrível projecto da Marvel até hoje. Garante diversão, acção e uma história empolgante e está cheio de referências ao melhor que se fez há mais 30 anos com os melhores efeitos especiais dos dias actuais. Se há blockbuster a ver este Verão, só pode ser Guardiões da Galáxia.

8/10

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