domingo, 18 de maio de 2014

Godzilla

File:Godzilla (2014) poster.jpg
GODZILLA
de Gareth Edwards
com: Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen,
Bryan Cranston e Ken Watanabe
Prometia mas não cumpriu. É nesta simples frase que se pode resumir esta nova longa-metragem sobre o lendário Godzilla.

Contrariamente ao que o trailer e o próprio título do filme indicam, a história raramente se centra no monstro gigante. A verdadeira ameaça para as pessoas são os MUTOs, uns insectos enormes que se dirigem a toda a velocidade para os EUA (sim, porque onde é que já se viram monstros longe do país de Hollywood). Uma centena de soldados arma um plano para os deter e, pelo meio disto tudo, há um drama familiar só porque sim. Ah, e o Godzilla também anda por lá, por breves instantes.

Os créditos iniciais são a primeira ameaça que nos surge. Uma dúzia de vídeos militares ultra secretos mostram o verdadeiro objectivo de todos os testes nucleares dos anos 50. A ideia seria dar início a uma qualquer teoria da conspiração ou assim, mas não resulta. Passamos então para 1999, onde um grupo de cientistas japoneses explora uma mina que contém uns quantos fósseis. Junto desses tais fósseis encontram-se dois casulos, um morto e outro aberto, de onde saiu algo que fugiu para o mar e provocou um acidente numa central nuclear.

E é nessa central nuclear que surgem as primeiras personagens propriamente ditas. Joe Brody, desempenhado por Bryan Cranston, perde a mulher numa cena muito forçada e cheesy, que quer ser comovente mas acaba por tornar-se ridícula. Ora, com a central a cair aos pedaços e enormes quantidades de radiação a pairar pelo ar do Japão seria de esperar que Joe e o seu filho Ford morressem, ou não estivessem eles no epicentro do desastre. Mas não. A incoerência da história possibilita que ambos sobrevivam para que Godzilla possa prosseguir.

Passados 15 anos de toda esta cena inicial, aparece Ford já crescido e com um novo actor a encarna-lo: Aaron Taylor-Johnson, com uma performance mais assustadora que todos os monstros do filme. E é a partir daqui que começa o bombardeamento de clichés. Ford é o militar que tem como esposa uma loiraça (Elizabeth Olsen) que está ali só para o público masculino se babar; o filho deles não tem a mínima relevância na narrativa, é apenas aquela personagem ingénua que diz 'olha, dinossauros!' quando vê Godzilla na TV; Joe tornou-se um maníaco com notícias de jornal por toda a casa e umas quantas teorias sobre o desastre nuclear de há 15 anos. Ninguém acredita nele mas, imagine-se!, ele tem razão. Onde é que já se viu isto?

O espectáculo de estupidez prossegue frustrantemente durante as duas horas de Godzilla, que teima em não aparecer. Os MUTOs têm um aspecto muito banal, não são nunca assustadores, e ocupam a maior parte do ecrã por largos minutos, demasiados até. O jargão militar e científico não dá lá grande interesse a um argumento insonso e vão aparecendo umas quantas personagens fotocopiadas de outros filmes, especialmente os soldados. Durante todo esta fita vão ainda surgindo umas quantas bugigangas que não se chega bem a perceber o que são, estão mesmo ali só para enfeitar e encher chouriços. Godzilla não é nada mais que uma demonstração da falta de originalidade da indústria americana, que só sabe reciclar o que já foi feito.

Mas enquanto o filme se vai afundando parecem existir uns quantos botes salva-vidas. Bryan Cranston é um verdadeiro trunfo no elenco, com uma performance bem conseguida e que, por momentos, tornou Godzilla numa boa experiência. Infelizmente somos obrigados a vê-lo a contracenar com o desastroso Aaron Taylor-Johnson na maior parte das vezes. Os efeitos especiais são incríveis, mais espectaculares que qualquer outro aspecto do filme. Há que também louvar uma certa coragem do realizador Gareth Edwards, que num ou noutro momento tomou algumas decisões surpreendentes (uma delas foi mesmo à la Hitchcock).

Então e nisto tudo onde entra o tal Godzilla, com honras de título e destaque no cartaz? Quem estiver a ler esta crítica poderá perceber que o monstro em nenhum momento foi referenciado como peça fundamental do enredo. Porquê? Bem, os MUTOs são a principal ameaça neste filme, Ford e a sua mulher têm direito a muito espaço na narrativa e a destruição das cidades japonesas e americanas têm grande destaque, como se Michael Bay tivesse dirigido Godzilla. O monstro japonês tem um papel crucial no desfecho da história, mas vê-mo-lo tão poucas vezes que é irritante, não só porque temos que esperar muito tempo para o vislumbrar como também são fracos os momentos de suposta acção em que ele entra. E a sua cena final é anedótica.

Embora o seu trailer fizesse água na boca e as críticas que têm chegado dos EUA nem sejam más, Godzilla não é nada senão uma desilusão. Repleto de maus actores (com excepção de Cranston) e com uma parva escassez de cenas com o gigante monstro, este filme vai arrecadar milhares nas bilheteiras mas sem nunca satisfazer quem pagar para o ver.

3/10

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