segunda-feira, 3 de março de 2014

O Filme Lego

Divertido, inteligente e criativo, é O Filme Lego

File:The Lego Movie poster.jpg
THE LEGO MOVIE
de Phil Lord e Christopher Miller
com as vozes de (VP): Jorge Corrula, Vera Kolodzig,
João Lagarto, Marco Delgado e Fernando Luís
Quando se faz um filme de animação, o principal objectivo dos produtores é agradar tanto a miúdos e a graúdos. E os produtores deste O Filme Lego podem encher o peito e alegremente dizer que atingiram esse objectivo, para além de terem feito um divertidíssimo filme de animação.

Emmet é um zé ninguém, que vive na sua ingenuidade num mundo monótono, onde reina a rotina. Até que um dia, por acidente, ele descobre a chave para a libertação do mundo das mãos do Lorde Negócios. Emmet e os seus novos companheiros, onde se destacam Supercool, Batman e Vitruvius, partem assim numa aventura para restaurar a paz.

Ao contrário do que se tem passado com os filmes de animação dos últimos anos, O Filme Lego perde com a versão portuguesa. Não é que a nossa dobragem esteja má (as vozes de Jorge Corrula como Emmet e Vera Kolodzig como Supercool estão bastante engraçadas), mas o argumento original do filme joga muito com trocadilhos ou expressões americanas, que não têm o mesmo efeito na língua portuguesa. Para além disso, ficamos privados de ouvir Morgan Freeman na personagem Vitruvius, que na versão portuguesa é dobrado por João Lagarto (que, não estando nada mal, está a anos luz de Freeman).

Independentemente deste pequeno problema, é inquestionável o quão maravilhoso é O Filme Lego. Sendo um filme para a miudagem, o enredo não difere de todos os outros filmes de animação: o herói é a personagem menos provável mas acaba por ganhar no fim. Aquilo que torna esta longa-metragem mais original que a maioria de todas as outras é a forma como chega a esse desfecho.

Há uma enorme imaginação por parte dos criadores d'O Filme Lego. Não é a estreia das mais famosas peças do mundo no cinema (lembro-me vagamente do mediano Bionicles: Máscara da Luz), mas é a primeira vez que o Lego está tão bem representado no grande ecrã. Todos os cenários são feitos de Lego, as explosões são feitas de Lego, a água, o céu, os carros... Todo o filme é uma grande exposição do brinquedo preferido de toda a gente e a forma como Phil Lord e Christopher Miller (os construtores desta grande animação) se divertem a construir vários gadgets e adereços não deixam de nos maravilhar. O filme sabe também gozar consigo mesmo e, em vez de cair em clichés, goza com eles, o que acaba por torná-lo mais descontraído.

São estes aspectos que entretêm os miúdos. Nada atrai mais um jovem espectador que um filme colorido, divertido e com uma história simples de acompanhar. Mas então o que há para os adultos gostarem desta produção? Bem, em primeiro há tudo aquilo anteriormente dito. O Filme Lego não é demasiado infantil e todos os adultos acabam por gostar igualmente de ver tantas peças de Lego em movimento. Depois existe um bem orquestrado argumento escrito pelos realizadores que contém muitas e variadíssimas referências à cultura pop (referências essas que os miúdos, infelizmente, ainda não vão perceber), desde as óbvias como Guerra das Estrelas ou Senhor dos Anéis até às mais escondidas como as de Andy Warhol. E os minutos finais vão provavelmente recordar a muitos a sua infância, naquele que é um muito original e comovente plot twist na história.

O Filme Lego é explosivo, divertido e inteligente, e consegue agradar a toda a família. É muito mais que um simples filme de animação: é uma homenagem ao imaginário que as famosas peças deram a várias gerações.

9/10

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