sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Sobrevivente

Peter Berg redimiu-se do seu filme anterior e fez um bom filme de acção

File:Lone Survivor poster.jpg
LONE SURVIVOR
de Peter Berg
com: Mark Wahlberg, Ben Foster, Emile Hirsch
e Taylor Kitsch
Depois de ter realizado um dos piores filmes de 2012, Battleship: Batalha Naval, Peter Berg tentou ir por um caminho mais arriscado e adaptou uma impressionante história verídica ao grande ecrã.

O Sobrevivente é a adaptação do livro de Marcus Luttrell, um Navy Seal que, juntamente com mais três soldados, é enviado numa missão para capturar Ahmad Shah, um dos líderes da Al-Qaeda. A missão da equipa de Luttrell acaba por ficar comprometida quando um grupo de talibãs os descobre, dando início a uma luta no meio das montanhas do Afeganistão.

O filme começa mal. Excesso de clichés, muita testosterona e demasiado cheiro a 'apple pie'. Sem nunca avançar muito na história, O Sobrevivente tenta ser profundo ou até um pouco épico (a cena inicial com aquela banda sonora aliada à corrida dos soldados ao nascer do Sol é muito cheesy). Tal como inúmeros outros filmes de guerra, há uma tentativa de construir as personagens a partir de conversas sobre as mulheres de cada um enquanto se diferenciam os soldados mais populares do quartel dos novatos. O resultado é uma meia hora de jargão de tácticas de batalha e meia dúzia de soldados que não passam de tipos barbudos armados até aos dentes com os bíceps em evidência.

A segunda parte de O Sobrevivente compensa bastante. Um ano após ter sido nomeado para pior realizador (é um milagre Luttrell tê-lo aceite para dar vida ao seu livro), Peter Berg conseguiu provar que ainda não perdeu totalmente as suas qualidades. A cena que faz de ponte entre a primeira e a segunda parte do filme é excelente, um verdadeiro espectáculo de acção. Após breves minutos de enorme suspense é dado um primeiro tiro e inicia-se o melhor momento do filme: o confronto entre Seals e Talibãs. Berg consegue por o espectador dentro da própria batalha com o auxílio do som de balas que parecem raspar nas nossas cabeças e movimentos rápidos e tremidos de câmara.

É nesta cena que se ganha realmente afectividade pelas personagens, pois a lealdade, sentido de camaradagem e bravura de que dispõem são enormes. Berg excede-se, porém, a filmar as mortes dos soldados. Utilizando em demasia o recurso à câmara lenta, o filme parece transformar-se mais num jogo de PlayStation. Não há dúvida de que fica bonito de se ver, mas tira o tom cruel da guerra ao filme.

Até final, são colocadas muitas questões morais sobre lealdade e mostra o lado bom das pessoas do Afeganistão. Quando Luttrell é acolhido por uma família de afegãs, são várias as tentativas de matar o americano por parte dos talibãs que o perseguem. Graças aos esforços da população da vila onde Luttrell está, nada lhe acontece. O soldado tenta perceber porque é que o protegem, mas nunca consegue descobrir. A explicação é dada nos créditos finais: aquela vila vivia sobre o código de honra conhecido como Pashtunwaii, um princípio que diz ser obrigatório proteger qualquer indivíduo dos seus inimigos.

Quanto às interpretações dos actores não há muito a afirmar. Mark Wahlberg acabou por ser o único homem do elenco (até porque não há nenhuma figura feminina no filme) a ter realmente protagonismo e teve uma performance muito boa, justificando o porquê de interpretar o verdadeiro herói Marcus Luttrell. Ben Foster, Emile Hirsch e Taylor Kitsch desempenharam os outros três soldados da missão, mas as mortes prematuras das suas personagens não deixaram que qualquer um deles se conseguisse de facto salientar (embora se perceba que Foster deveria ter mais protagonismo).

O Sobrevivente não traz nada de novo ao género de guerra, mas não deixa de ser um bom retrato daqueles dias que Marcus Luttrell e os seus colegas passaram. Não tem a crueldade dos filmes de Spielberg nem o thriller dos de Bigelow, mas graças a um bom trabalho de Peter Berg nas partes de maior acção acaba por satisfazer bastante.

7/10

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