domingo, 8 de dezembro de 2013

Horas

Poster do filme Hours
HOURS
de Eric Heisserer
com: Paul Walker e Genesis Rodriguez
Horas é mais uma tentativa de actor/argumentista mostrarem que conseguem fazer algo fora das suas zonas de conforto do que um filme propriamente dito. Paul Walker quer provar que sabe entrar em filmes que não os de acção e Eric Heisserer que a sua escrita vai mais além que uns filmezecos de terror. O resultado é decepcionante.

Nolan Hayes (Paul Walker) entra no hospital com a sua mulher Abigail (Genesis Rodriguez) que está prestes a dar à luz. Infelizmente, Abigail morre durante o parto e Nolan vê-se sozinho com uma bebé recém-nascida. Para agravar a situação, o furacão Katrina atinge a costa. Com o hospital evacuado e sem energia, Nolan vê-se numa luta contra o tempo para salvar a sua filha, que necessita de uma incubadora para se manter viva.

É a partir deste plot que Eric Heisserer constrói o seu primeiro filme como realizador, após ter escrito alguns dos mais fracos remakes de terror dos últimos anos (The Thing, Pesadelo em Elm Street e Último Destino 5). O filme é um suposto suspance, mas a realização medíocre de Heisser não deixa qualquer nervoso miudinho dentro do espectador e anda à volta do mesmo assunto sem nunca chegar a lado nenhum durante uns 90 minutos que teimam em não passar. Heisserer é igualmente o argumentista de Horas. E o argumento é, aliás, uma das piores coisas do filme: é cliché, previsível e não dá nada a qualquer das suas personagens. Parece haver uma tentativa desesperada de fazer de Horas um filme como Cast Away ou Gravidade (filmes com uma só personagem e um só espaço onde decorre a acção), mas, em vez disso, cria-se apenas uma implacável máquina de encher chouriços, com diálogos fraquíssimos e algumas das piores cenas de cinema dos últimos tempos.

Paul Walker interpreta a única personagem do filme (há umas cinco outras que, por culpa dos actores e do argumento, não chegam sequer ao estatuto de personagem secundária) e bem se esforçou para conseguir dar alguma profundidade a Nolan. Mas as qualidades de actor de Walker não vão muito para além de umas caras zangadas e uns choros sem qualquer naturalidade. E, quando se dá a um actor médio uma personagem que nada tem para explorar, o resultado não pode ser grande coisa. Nolan é um tipo que passa metade do tempo a ter flashbacks da mulher e uma outra metade a dar à manivela do gerador que mantém a sua filha a respirar. Nem mais, nem menos. Visto bem as coisas, o pobre Walker não tinha mesmo campo nenhum para semear alguma coisa que valesse a pena.

Horas foi também uma tentativa falhada de recordar um pouco os trágicos acontecimentos do furacão Katrina. Devem existir umas quantas histórias mais interessantes e verídicas que tenham decorrido durante aqueles trágicos dias, mas Heisserer decidiu optar por uma bem mais maçadora e ficcional. Aliás, se não fossem os pequeninos segmentos de noticiários e um ou outro calendário na parede, a acção de Horas podia muito bem ter sido passada na China durante o período anual das cheias. E essas tais cheias nunca chegaram a representar sequer uma pequena ameaça em qualquer momento do filme...

O último filme de Paul Walker será recordado por isso mesmo: a morte prematura do actor. Isso é, aliás, a melhor publicidade que o filme pode ter, visto que não há muito mais que possa levar qualquer pessoa a querer ver Horas, o filme mais aborrecido do ano.

2/10

Sem comentários:

Enviar um comentário